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Bateria de carro elétrico dura mais que o previsto; veja o que analisar nos usados

Dados de telemetria mostram que degradação real das células de energia é de cerca de 2% ao ano, contrariando o receio na hora de comprar um seminovo

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jul 2026, 07h00 | Atualizado em 10 jul 2026, 15h33
Leaf, Volt e Zoe
Leaf, Volt e Zoe (Quatro Rodas/Quatro Rodas)
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O receio pela durabilidade da bateria de carros elétricos usados é o principal obstáculo para a consolidação do mercado de seminovos. É uma peça cara e que exige mão de obra especializada para ser substituída. No entanto, dados recentes de monitoramento de frotas globais indicam que as baterias estão se mostrando mais duráveis do que se imagina.

A degradação das células de bateria de carros elétricos ocorre em um ritmo mais lento. Em média, um elétrico perde apenas 7% da sua autonomia após três anos de uso. É como se um BYD Dolphin 2023, que saiu da loja com 291 km de autonomia PBEV, mantivesse hoje a capacidade de rodar 270,6 km com uma carga completa.

A realidade contraria o senso comum. Estudos conduzidos pela Geotab, empresa especializada em telemetria, mostram que a perda média de capacidade das baterias de íons de lítio é de apenas 2,3% ao ano. Outro levantamento, da consultoria Recurrent, aponta uma redução ainda menor, na casa dos 1,8% a cada 12 meses. O temor de que os elétricos se tornem descartáveis em pouco tempo não se sustenta na prática.

BYD Dolphin caiu como uma luva no mercado brasileiro e segue como modelo mais vendido do país.
BYD Dolphin (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Como a indústria automotiva considera que um pacote de baterias encerra sua vida útil veicular ao atingir entre 70% e 80% da capacidade original, esses índices projetam uma longevidade entre 10 a 15 anos. Para o comprador de um veículo de segunda mão, a autonomia restante é perfeitamente funcional para o uso urbano cotidiano.

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Além disso, existe a expectativa de que o aumento de carros elétricos nas ruas desenvolva um mercado de baterias de reposição. Tanto a oferta de baterias novas (e, eventualmente, mais modernas) compatíveis com carros elétricos mais antigos, quanto o comércio de baterias usadas para segunda vida em bancos de baterias estacionárias ou sua reciclagem.

Hábitos que aceleram a degradação das baterias

Embora a química se mostre resiliente, a vida útil da bateria depende da rotina de recarga adotada pelo primeiro proprietário. A degradação térmica é o maior inimigo das baterias e pode se dar tanto pelo calor quanto pelo frio intensos. O uso constante de carregadores ultrarrápidos de rodovia (em corrente contínua) também eleva a temperatura do sistema, acelerando o desgaste interno das células.

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Baterias de carros elétricos têm custo alto, mas não degradam tanto quanto se imagina (Divulgação/Quatro Rodas)

No dia a dia, engenheiros recomendam evitar que o carro permaneça com 100% de carga por períodos prolongados, especialmente parado sob sol forte. O cenário ideal para preservar a saúde do sistema a longo prazo é manter o nível de energia oscilando entre 20% e 80% na maior parte do tempo, priorizando as recargas lentas residenciais (em corrente alternada) durante a noite. Baterias de química NMC têm maior desgaste devido à carga completa do que baterias LFP, que são mais baratas e comuns em carros elétricos de entrada.

Desgaste mecânico e peso extra

Se o conjunto motriz elétrico demanda pouca manutenção por ter uma fração das peças móveis de um motor a combustão, a física cobra a conta na dinâmica veicular. Devido ao grande pacote de baterias posicionado no assoalho, carros elétricos são substancialmente mais pesados do que seus equivalentes térmicos.

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Dolphin
Baterias de íon-lítio geram muito calor durante a recarga, a ponto de o carro ligar o sistema de arrefecimento (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Essa massa extra, combinada com a entrega instantânea de torque ao pisar no acelerador, transfere um esforço maior para o conjunto de suspensão, buchas de bandeja e, principalmente, pneus. É comum que um elétrico seminovo exija a substituição precoce desses itens em um prazo consideravelmente menor do que o exigido por um carro comum.

O que avaliar em carros elétricos usados

No Brasil, onde o custo de propriedade é impactado pelo alto valor de aquisição dos carros elétricos, variações de cobrança de IPVA por estado e oscilações no valor de revenda, a desvalorização inicial de um elétrico cria oportunidades de negócio. Modelos de entrada de marcas como BYD, GWM e Volvo já começam a formar uma frota de seminovos atrativa frente aos SUVs flex zero-quilômetro.

Para quem busca um elétrico usado, a principal recomendação deve ser a exigência de um laudo via scanner para atestar a saúde real das baterias (conhecido como SOH – State of Health) e a vistoria visual criteriosa de cabos de alta tensão e conectores de recarga, que podem apresentar oxidação e comprometer todo o sistema. Para isso, é necessário buscar oficinas que estejam se atualizando para trabalhar com carros elétricos.

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