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Teste: etanol deixa Jeep Compass Blackhawk mais rápido e mais barato para rodar

Na era dos híbridos, Compass Blackhawk vira flex e mostra que fazer as contas antes de abastecer é uma boa alternativa

Por Guilherme Fontana Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jul 2026, 10h17 | Atualizado em 31 jul 2026, 15h58
SUV Jeep Compass branco com teto preto em movimento rápido, visto de frente e lateral, em estrada com vegetação amarelada ao fundo e céu azul com nuvens brancas
 (Fernando PIres/Quatro Rodas)
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Carros híbridos e elétricos podem até estar em alta, mas outro tipo parece nunca sair de moda: os carros flex. Passados 23 anos desde a estreia do primeiro modelo movido a gasolina e etanol no Brasil, o Volkswagen Gol, eles tornaram-se quase que padrão para o mercado brasileiro. Não por acaso, sempre figuram entre as promessas de novas marcas no país (como a GWM, que acaba de tornar flex o Haval H6) e aparecem até entre marcas de luxo, como a BMW, com o Série 3 nacional.

SUV Jeep Compass branco com teto preto, visto por trás e lateral, em movimento numa estrada asfaltada. O céu azul tem nuvens brancas e há vegetação verde e amarelada nas margens
Versão tem as partes plásticas inferiores na cor da carroceria (Fernando PIres/Quatro Rodas)

E isso não escapa às tradicionais. Após dois anos de mercado, o Jeep Compass Blackhawk, versão esportiva com motor 2.0 turbo e que custa R$ 278.990, vira flex. Levamos o SUV para a nossa pista para atestar se a novidade provoca mudanças de consumo e desempenho com gasolina, combustível utilizado como padrão nos nossos testes. Porém, abrimos uma brecha para uma avaliação ainda mais completa: testamos o modelo também com etanol para fazer as contas se o combustível mais barato compensa e se a novidade faz sentido.

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O motor 2.0 turbo Hurricane com quatro cilindros não teve alterações em suas credenciais. Ele segue com 272 cv de potência a 5.200 rpm e 40,8 kgfm de torque a 3.000 rpm, independente do combustível utilizado. De acordo com a marca, para receber etanol no tanque, o Compass Blackhawk adotou nova bomba de combustível, velas de ignição e injetores, além de modificações no sistema de admissão e no turbo. O mapeamento do motor e do câmbio, o mesmo automático de nove marchas, também foram alterados.

Interior de um carro com bancos pretos de couro e camurça, costura em losango, e o nome BLACKHAWK bordado. Volante e painel escuros, com tela multimídia visível. A porta branca do lado do motorista está aberta, revelando o interior do veículo
Espaço interno do Compass é suficiente, mas já há concorrentes mais atraentes; porta-malas tem 476 l e abertura elétrica (Fernando PIres/Quatro Rodas)
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Interior de um carro branco, mostrando os bancos traseiros de couro preto com detalhes em camurça e costura branca, cintos de segurança afivelados e portas abertas revelando o acabamento interno escuro e janelas claras
(Fernando PIres/Quatro Rodas)
Porta-malas de um carro branco, visto de cima, com o assoalho forrado em carpete cinza escuro e o banco traseiro rebatido. Uma tampa retrátil cinza cobre a parte superior do porta-malas, e ganchos de fixação estão visíveis nas laterais
(Fernando PIres/Quatro Rodas)

As mudanças deram ainda mais fôlego ao SUV de pegada esportiva. Suas saídas e retomadas são rápidas, e as acelerações empolgam a ponto de nos fazer esquecer que estamos em um Jeep Compass, que nasce como um SUV médio convencional e não provoca muitas emoções nas versões com motor 1.3 turbo flex de 176 cv e 27,5 kgfm. O bom desempenho é reforçado pela tração 4×4 (com reduzida e seletor de terrenos, entre areia, neve e automático) e pelos pneus mais largos (235/45 R19), que segura o ímpeto do modelo de sair de dianteira, e pela maior sensibilidade do acelerador.

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O câmbio tem trocas ágeis e certeiras para todo tipo de condução, das mais empolgantes às mais tranquilas. E, sim, é totalmente possível guiar um Compass Blackhawk sem exigir dele tanta esportividade, mas apenas como um SUV de bom desempenho para situações corriqueiras.

A suspensão tem ajuste exclusivo em relação às versões com motor 1.3 para dar conta do fôlego extra. Ao contrário do que se espera, o Compass não se torna duro na versão mais potente. Há uma clara firmeza para mantê-lo estável, mas uma maciez extra nas absorções, além de um curso maior nos amortecedores, que evita efeitos de “chicote” e pancadas secas nas compressões. A direção, por sua vez, está mais leve e direta, sem transmitir a sensação de peso das configurações convencionais.

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Vista superior do motor de um carro, com a tampa preta do motor exibindo a palavra TURBO em relevo. À esquerda, o bocal de óleo com o símbolo de uma almotolia. À direita, a bateria do veículo e o reservatório de fluido rosa. Diversos tubos, fios e componentes metálicos prateados estão visíveis, com o para-brisa e a grade de ventilação do carro ao fundo
Motor flex gasta mais, mas compensa no bolso (Fernando PIres/Quatro Rodas)

Tudo isso, porém, já era sentido no Blackhawk a gasolina. Agora surgem as comparações para entender se a transformação do modelo em flex faz sentido. Nos nossos testes, o modelo a gasolina foi de 0 a 100 km/h em 6,8 s. O flex levou 6,7 s com gasolina e 6,6 s com etanol, ou seja, ele está mais rápido mesmo com gasolina. As médias de consumo do antigo modelo foram de 9,3 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada. Aqui, ele cobra caro. Com gasolina, o 2.0 turbo flex chegou aos 8 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, já com significativas pioras, que vão além com etanol. Neste caso, as médias caíram para 6,3 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada.

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Fizemos as contas considerando os preços de R$ 6,62/litro para a gasolina e R$ 4,13/litro para o etanol, seguindo as médias nacionais divulgadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) entre os dias 14 e 20 de junho de 2026. Ao dividir o valor do litro do combustível pelo consumo do veículo, com gasolina, o Compass flex tem o custo de R$ 0,83/km na cidade e R$ 0,55/km na estrada.

Com etanol, os custos caem para R$ 0,65/km na cidade e R$ 0,45/km na estrada. Ou seja, apesar de o consumo com etanol assustar, ele é o mais vantajoso graças ao menor custo por litro. Mas vale o alerta: é necessário fazer as contas já que, caso o etanol tenha um valor mais próximo do cobrado pela gasolina (acima de 70% do valor da gasolina), ele deixa de ser vantajoso.

Interior de um carro moderno em tons escuros, com volante multifuncional da marca Jeep, painel digital e tela multimídia central exibindo um reprodutor de música. O console central possui câmbio automático e botões de controle, e o banco do motorista é de couro preto com costura em losango
Acabamento agrada, mas visual já não se destaca (Fernando PIres/Quatro Rodas)

ALÉM DAS CONTAS 

Por ser a versão mais cara do Compass, a Blackhawk tem diferenciais na aparência e o pacote mais completo da gama. Por fora, o SUV dispensa qualquer detalhe cromado e os substitui por acabamentos em preto brilhante. Grade, detalhes nos para-choques, frisos das janelas e logotipos são sempre em preto para destacar as pretensões esportivas do modelo.

Para não dizer que não há cromados, o único detalhe com o acabamento que faz por merecer são das duas chamativas saídas de escape na base do para-choque traseiro, que, ao menos por ora, são exclusivas da versão. As rodas de 19 polegadas são pretas com verniz fosco, e o desenho aberto deixa à mostra as capas vermelhas das pinças de freio – a disco nas quatro rodas.

O interior também aposta no preto, tom presente inclusive nas colunas e na forração do teto. O painel tem materiais emborrachados no topo, bem como os painéis de porta. Ao centro há uma faixa macia com revestimento sintético, o mesmo visto em apoios de braço e no volante. Os bancos diferenciam–se pela mescla de outros tecidos, como camurça, e por padrões diferentes de cortes e costuras. O nome Blackhawk aparece no encosto dos bancos dianteiros. Por falar neles, há ajustes elétricos, mas ficam devendo aquecimento e ventilação.

Painel de controle de um carro, com alavanca de câmbio em couro preto e botões de tração 4x4, incluindo HOLD com luz laranja acesa, 4WD LOW e 4WD LOCK
Há comandos no console central e seletor de terrenos; console traseiro tem saídas de ar-condicionado, portas USB e tomada (Fernando PIres)
Painel de controle de carro com seletor de modo de condução. As opções visíveis são SAND/MUD, SNOW e AUTO, com um indicador vermelho ao lado de SNOW. Um botão cromado alongado está abaixo das opções, e o painel é preto brilhante, ladeado por estofamento de couro preto texturizado
(Fernando PIres/Quatro Rodas)
Painel traseiro de um carro com saídas de ar, duas portas USB e uma tomada de 12V, entre dois bancos de couro preto
(Fernando PIres/Quatro Rodas)

A versão topo de linha não tem opcionais, ou seja, todos os itens são de série. E a lista é boa. Ele tem faróis de led com fachos baixo e alto automáticos, faróis de neblina de led com função curva, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré, freio de estacionamento eletrônico com função auto hold, ar bizona, teto solar panorâmico com abertura, porta-malas com abertura elétrica automática por gestos, sensor de chuva, sistema de estacionamento semiautônomo, sete airbags e monitoramento de pressão dos pneus.

A lista segue com piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência com detecção de veículos, pedestres e ciclistas, assistente de permanência em faixa, detector de fadiga, alerta de tráfego cruzado traseiro, alertas de pontos cegos e leitura de placas de velocidade.

No quesito multimídia, o modelo tem uma central com tela de 10,1” já considerada pequena para os padrões atuais. Mais do que isso, o layout e o funcionamento lento já parecem antiquados, embora ela tenha Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O quadro de instrumentos mede 10,25” e está um passo à frente em modernidade para a multimídia, com diferentes opções de mostradores e personalização de informações. A lista se completa com carregador de celular por indução, entradas USB-A e USB-C, e um sistema de som certificado pela Beats com 506 watts de potência e oito alto-falantes, além de um subwoofer, com boa qualidade sonora e graves pronunciados. É um pacote farto, mas o Compass Blackhawk fica devendo um sistema discreto, que já está presente no Commander equivalente: um sistema de câmeras 360o.

Vista interna do teto de um carro com teto solar panorâmico aberto, revelando um céu azul com nuvens esparsas. O interior é escuro, com detalhes do console de luzes e para-sol visíveis
Teto solar e rodas de 19” são de série; duas ponteiras de escape funcionais e capas vermelhas nos freios diferenciam a versão (Fernando PIres/Quatro Rodas)
Lateral de um carro branco com o emblema COMPASS em preto, próximo a uma roda preta com detalhes em vermelho nos freios
(Fernando PIres/Quatro Rodas)
Traseira de um carro SUV branco, com lanterna vermelha à esquerda, sensores de estacionamento e dois escapamentos cromados na parte inferior. O veículo está em uma estrada asfaltada, com árvores verdes e céu azul ao fundo
(Fernando PIres/Quatro Rodas)

No espaço interno o SUV vai bem, mas não impressiona. Atrás, duas pessoas de estatura média viajam com conforto suficiente. Incluir um terceiro ocupante na posição central pode gerar problemas no espaço lateral e para as pernas, já que o túnel central do assoalho é alto e o console central invade a área destinada às pernas. No console, ao menos, há duas portas USB, tomada e saídas de ar-condicionado. O porta-malas de 476 litros vai bem.

O Jeep Compass Blackhawk flex mantém suas melhores virtudes em acabamento, tecnologia e, principalmente, desempenho. Caso você não abra mão da gasolina, ficará mais caro para abastecê-lo. Mas ele cumpre a função de um carro flex: tem uso mais vantajoso com etanol nos preços atuais, e melhora (ainda mais) o desempenho. Porém, seu preço é alto comparado a modelos mais modernos e, como muitos, híbridos, que entregam desempenho semelhante e menor consumo de combustível. O preço também recai sobre o projeto já antigo do Compass, que começa a demonstrar a idade em visual, tecnologia embarcada e espaço interno.

Veredicto

As médias de consumo podem assustar, mas revelam que ele cumpre sua função: é vantajoso ser abastecido com etanol (nos preços atuais) e fica (ainda) mais rápido. Uma vantagem a mais ao SUV de temperamento esportivo. ★★★★

Avaliações

CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO

O Compass tem construção sólida e carroceria bem montada. Por dentro, o acabamento mescla revestimentos sintéticos e camurça, com materiais emborrachados.

TECNOLOGIA

A lista inclui todos os itens necessários em conforto e segurança, mas deve em pontos de tecnologia. A multimídia já está defasada e poderia ter o sistema de câmeras 360° do Commander.

VIDA A BORDO
Ele já demonstra idade quando o assunto é aproveitamento de espaço interno. Há conforto, mas poderia levar os ocupantes traseiros com mais folga.

RENDIMENTO

O desempenho de carro esportivo dá ao Blackhawk muita personalidade diante das demais versões. Ele diverte e pode enganar muitos no trânsito.★★★

COMPORTAMENTO DINÂMICO

A suspensão tem ajuste exclusivo e conversa bem com o desempenho reforçado. É confortável e firme na medida, com absorções refinadas.

★★★

SEGURANÇA

A versão de topo tem pacote de ADAS completo, além de sete airbags. Os pneus mais largos e a tração 4×4 também podem ser considerados auxiliares na segurança do SUV.★★★

SEU BOLSO

Abastecer o modelo com gasolina ficou mais caro, mas os preços atuais do etanol tornam-se vantajosos para uso, apesar de médias de consumo assustarem. O carro, porém, é caro.

Ficha Técnica – Jeep Compass Blackhawk Flex

Motor: diant., transv., 4 cil., 16V, 1.994 cm³, inj. direta, flex, 272 cv a 5.200 rpm, 40,8 kgfm a 3.000 rpm
Câmbio: aut., 9 marchas, tração 4×4
Direção: elétrica; diâm. de giro, 11,3 m
Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)
Freios: disco vent. (diant.), sólido (tras.)
Pneus: 235/45 R19
Dimensões:
comprimento, 440,4 cm; largura, 181,9 cm; altura, 164 cm; entre-eixos, 263,6 cm; distância do solo, 19,8 cm; ângulo de ataque, 21,7°; ângulo de saída, 28,5°; porta-malas, 476 litros; peso, 1.720 kg; tanque, 55 litros

Teste Quatro Rodas – Jeep Compass Blackhawk Flex

Aceleração gasolina Etanol
0 a 100 km/h 6,7 s 6,6 s
0 a 1.000 m 27,1 s / 195,1 km/h 26,8 s / 199,6 km/h
Velocidade máxima 228 km/h*
Retomadas
D 40 a 80 km/h 2,8 s 2,7 s
D 60 a 100 km/h 3,6 s 3,4 s
D 80 a 120 km/h 4,4 s 4,2 s
Frenagens
60/80/120 km/h a 0 15,4/27,5/63,4 m
Consumo
Urbano 8 km/l 6,3 km/l
Rodoviário 12,1 km/l 9,1 km/l
Ruído interno
Neutro/RPM máx. 39,6 / 61,3 dBA 40,7 / 61,9 dBA
80/120 km/h 65 / 64,4 dBA 69,7 / 68,9 dBA
Aferição
Velocidade real a 100 km/h 99 km/h
Rotação do motor a 100 km/h 1.750 rpm    
Volante 2,5 voltas
Preço básico R$ 278.990
Garantia 5 anos

Assistência ao condutor

ADAS Icone
(Redação/Quatro Rodas)
Farol alto automático Sensor de estacionamento
Piloto automático adaptativo Prevenção de saída de faixa
Frenagem autônoma Alerta de saída de faixa
Alerta de ponto cego Câmera traseira

Ergonomia

DIAGRAMA SUV
(Redação/Quatro Rodas)

A: 153 cm (diant.) / 149 cm (tras.) B: 94,5 cm (diant.) / 90 cm (tras.) C: 99,5 cm (diant.) / 90 cm (tras.)

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