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Policiais se fantasiam de arbusto para multar motoristas usando o celular ao volante

Operação inusitada nos Estados Unidos escancara o problema da desatenção ao volante, agravado pela complexidade das centrais multimídia

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 ago 2026, 08h26
Pessoa vestindo uma fantasia de arbusto verde, com binóculos, em uma calçada ao lado de uma rua com carros e casas
 (Departamento de Polícia de Dunellen Borough/Facebook)
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Policiais se fantasiam de arbusto para multar motoristas usando o celular ao volante Priorizar nos meus resultados Google

O uso de celular ao volante levou a polícia de Dunellen, em Nova Jersey (EUA), a adotar uma tática peculiar para fiscalizar o trânsito local. Em uma operação intensiva de seis horas de duração, um oficial vestiu um traje de camuflagem militar — o chamado ghillie suit, semelhante a um arbusto denso —, misturando-se à vegetação da via para flagrar condutores distraídos. A ação resultou em 74 autuações registradas em uma única tarde.

A abordagem inusitada expõe a ineficiência da fiscalização convencional contra a desatenção no trânsito. Motoristas que dividem o foco entre a tela do smartphone e o trânsito raramente notam a presença de viaturas paradas. A ousadia da operação foi completada por um segundo policial que, operando um rádio comunicador, vestia uma camiseta com a frase “Não sou um policial”, passando despercebido pela maioria absoluta dos infratores autuados.

O impacto da tecnologia embarcada

Embora o smartphone seja o vilão mais evidente, os próprios carros modernos podem contribuir para a desatenção. A concentração de comandos essenciais, como os ajustes de climatização, em centrais multimídia complexas obriga o condutor a desviar o olhar da pista por longos períodos, potencializando os riscos.

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Um policial negro, de uniforme azul e colete tático, parado ao lado da porta de uma caminhonete azul escura, em uma rua residencial com carros estacionados e árvores ao fundo
(Departamento de Polícia de Dunellen Borough/Facebook)
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Soma-se a isso a popularização dos sistemas avançados de assistência à condução (ADAS). Tecnologias que deveriam atuar como redes de segurança, a exemplo do assistente de permanência em faixa e do controle de cruzeiro adaptativo, frequentemente geram uma falsa sensação de autonomia. Esse excesso de confiança induz o motorista a delegar a condução aos sensores do carro, aproveitando a oportunidade para checar notificações no celular.

Leis brandas e colisões traseiras

O impacto dessa combinação de fatores aparece nas apólices de seguro e nos registros rodoviários. O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) possui estudos que ligam a distração eletrônica ao aumento expressivo de colisões traseiras e aos episódios de excesso de velocidade por falta de percepção do fluxo. O instituto alerta que apenas a existência de normas não resolve o problema.

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A impunidade legislativa agrava o cenário. Em uma análise publicada em 2022, o IIHS criticou a legislação do estado da Califórnia, cujos textos interpretativos dificultam a aplicação efetiva das multas, resultando em taxas de acidentes piores que as de regiões vizinhas. Diante desse vácuo de fiscalização, iniciativas como a dos policiais camuflados podem forçar os motoristas a estarem mais atentos.

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