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Toyota Hilux ganha acessório de fábrica para corrigir problema de estabilidade

Protetor de cárter artesanal custa o equivalente a R$ 2.500 e promete acabar com a flutuação e a sensibilidade ao vento lateral da picape média na estrada

Por Nicolas Tavares 15 jun 2026, 09h04 | Atualizado em 25 jun 2026, 10h13
Picape Toyota Hilux preta brilhante, vista de frente, com faróis acesos e grade cromada, em uma estrada asfaltada com guard-rail branco e vegetação verde ao fundo
 (Divulgação/Toyota)
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A Toyota Hilux sempre teve uma fama de ter problemas de estabilidade por diversos motivos e um deles era quando tinha que lidar com ventos laterais em alta velocidade. A fabricante está bem ciente disso e tenta resolver esta dificuldade ao menos para a geração anterior da picape (no caso, a atual no Brasil). A solução foi criar uma peça de alumínio, batizada de “Shibetsu Fin Undercover”, que nada mais é do que um protetor inferior que estabiliza a picape sem mexer na suspensão.

Em picapes médias montadas sobre chassi, a grande distância em relação ao solo naturalmente gera um fluxo de ar irregular na parte inferior. De acordo com os engenheiros do campo de provas da fabricante em Hokkaido, no Japão, essa turbulência constante cria vibrações e diferenças de pressão entre os lados esquerdo e direito da carroceria. O resultado prático para o motorista é aquela necessidade constante de correção no volante ao viajar, especialmente com a caçamba vazia.

Parte inferior frontal de uma picape Toyota Hilux azul escura, com placa preta da Toyota e protetor de cárter prateado com a palavra HILUX em destaque. Pneus robustos e asfalto cinza visíveis
(Divulgação/Toyota)

Aerodinâmica no lugar de suspensão

Para mitigar o problema, a solução final não veio por meio de barras estabilizadoras mais rígidas ou de uma nova calibração de amortecedores, mas da aerodinâmica. O novo protetor estampa pequenas aletas de cinco milímetros de altura em uma chapa sólida de alumínio com três milímetros de espessura.

Esse desenho atua diretamente no direcionamento do ar sob o veículo. Segundo a montadora, os vincos conseguem reduzir as vibrações de baixa frequência (abaixo de 1 Hz) a apenas um décimo do nível original. O conjunto uniformiza a pressão aerodinâmica, entregando uma condução mais assentada e coerente tanto em retas quanto em curvas, além de diminuir o desvio de trajetória causado por ventos cruzados.

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Comparativo de uma picape Toyota Hilux azul-marinho em quatro quadros. Acima, a picape sem e com protetor de cárter prateado. Abaixo, detalhes do chassi sem e com o protetor, que exibe o nome HILUX vazado
(Divulgação/Toyota)

É uma solução mais simples e mais barata do que mexer na construção da picape. A Toyota fez algo do tipo na última geração da versão esportivada GR Sport (depois levada para a variante SRX Plus) trouxe alterações do tipo, com um aumento na bitola de 15,5 cm na traseira e 14 cm na dianteira. A suspensão também foi alterada, com uma geometria exclusiva e um amortecedor monotubo com pistão de maior diâmetro.

Dois trabalhadores, usando uniformes cinza e luvas brancas, operam uma máquina industrial de dobra de metal, com um deles segurando uma peça metálica para ser moldada
(Divulgação/Toyota)
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Produção artesanal

A execução do projeto esbarrou nas limitações industriais convencionais. Estampar aletas tão precisas em uma chapa de alumínio espessa o suficiente para aguentar impactos off-road fez com que múltiplos fornecedores recusassem o trabalho de fabricação. Para viabilizar a peça, a marca precisou recorrer a artesãos metalúrgicos da região de Tsubame-Sanjo, no Japão, combinando prensas de múltiplos estágios com ajustes manuais de dobra.

Mesmo com o foco em desempenho rodoviário, o acessório preserva a aptidão fora de estrada do utilitário. O ângulo de ataque dianteiro não foi comprometido pela nova chapa, e o desenho mantém aberturas estratégicas para permitir o acesso fácil aos bujões durante as trocas de óleo do motor, evitando que a peça precise ser desmontada nas revisões.

O componente atende unidades da picape produzidas entre agosto de 2017 e agosto de 2022, além dos modelos fabricados de julho de 2023 a outubro de 2024. Ou seja, apenas a Hilux da oitava geração após a primeira reestilização.

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Só no Japão

Vendido no mercado japonês por 75.900 ienes, o equipamento custa cerca de R$ 2.500 na conversão direta para a moeda brasileira, valor que já engloba as taxas e a instalação em concessionárias locais. Para efeito de comparação, o custo equivale ao preço de mercado de uma capota marítima original e um protetor de caçamba instalados no Brasil.

Uma tecnologia semelhante também é oferecida para a nova geração do Land Cruiser (Série 250), provando que o refinamento aerodinâmico para utilitários quadradões é uma tendência técnica dentro da marca. Por enquanto, a disponibilidade do acessório fora do Japão não foi confirmada.

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