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Peugeot vira marca de nicho no Brasil e pode usar base chinesa junto com a Citroën

Parcerias com a Dongfeng com foco em compactos, SUVs e picapes vão redefinir a atuação da Citroën e da Peugeot no Brasil

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Paulo Campo Grande Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jul 2026, 12h45
Dois carros Peugeot, um preto e um branco, trafegam lado a lado em uma avenida urbana com prédios modernos ao fundo. O carro preto, modelo 208, está à esquerda, e o branco, modelo 2008, à direita. Ambos têm luzes diurnas verticais e placas brasileiras. O sol brilha no horizonte, criando reflexos nos edifícios e na pista
Peugeot 208 e 2008 (Divulgação/Peugeot)
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O futuro da Peugeot e da Citroën no mercado brasileiro dependerá do uso de arquiteturas e tecnologias da fabricante chinesa Dongfeng. Após dar continuidade aos projetos que já estavam em andamento antes da criação da Stellantis em 2021, o grupo automotivo agora realinha a posição das suas marcas de origem francesa e plataformas chinesas poderão baratear custos e acelerar renovações.

A Stellantis comanda marcas como Fiat, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën, Abarth e Leapmotor no Brasil, mas o sucesso de Fiat e Jeep é antagônico ao desempenho de Peugeot e Citroën nas vendas. Enquanto a Fiat somou 270.946 emplacamentos e a Jeep 56.426 emplacamentos no primeiro semestre, a Citroën acumulou 17.501 unidades (menos que Ford e Geely, que só vendem importados) e a Peugeot, apenas 8.754 unidades (menos que Omoda e Mitsubishi).

Peugeot 2008 2026
Peugeot 2008 está vendendo mais que o 208 em 2026 (Pedro Bicudo/Peugeot)

A função de cada uma das marcas tende a mudar. Embora tenha carros com preços acessíveis, como o 208 e o 2008, a Peugeot deixará de ser uma marca que busca volume de vendas. “A Peugeot será uma marca de nicho posicionada acima da Fiat”, afirmou o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, em encontro com jornalistas.

O objetivo é comercializar veículos com maior margem de lucro, mirando consumidores que buscam design e acabamento superior, sem a pretensão de liderar os segmentos onde estiver atuando.

peugeot e-3008
Peugeot E-3008 (Divulgação/Quatro Rodas)
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A Peugeot saiu debilitada do seu último plano de investimentos, que concentrou a produção dos seus carros na Argentina devido ao protecionismo no país vizinho. Em 2015, o mercado argentino consumia 60% de carros nacionais e 40% de modelos importados. Hoje, esse cenário se inverteu, com 70% dos emplacamentos dominados por veículos trazidos de fora e apenas 30% de fabricação local. A marca ainda é grande na Argentina e no Chile, mas encolheu no Brasil.

A situação econômica do país vizinho também dificulta as importações para o Brasil. Em 2026, o Peugeot 2008 acumula mais emplacamentos que o 208: 4.211 unidades contra 2.960 do hatch, um desempenho fraquíssimo. O Peugeot e-3008, prometido para o Brasil há dois anos, seria capaz de reforçar a imagem de marca de nicho, mas ainda não foi lançado.

Citroën C3 XTR
Citroën C3 e Aircross (Gabriel Barrera/Citroën)

Por outro lado, a Citroën segue a diretriz adotada em outros mercados e concentra suas operações nos segmentos de entrada. A marca focará em entregar carros com apelo racional, espaço interno e baixo custo de manutenção, brigando pelo consumidor que precisa de mobilidade acessível em hatches e utilitários compactos.

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Citroën Basalt Shine Turbo 200 2026
Citroën Basalt (Pedro Bicudo/Citroën)

Não é diferente da estratégia assumida ao concentrar sua operação nos Aircross, Basalt e C3, sendo que o Basalt é seu maior sucesso de vendas, com 7.621 emplacamentos de janeiro a junho. Os três modelos são fabricados no Brasil, na fábrica de Porto Real (RJ).

O peso da China na operação local

Quando a fusão que originou a Stellantis ocorreu, em 2021, diversos projetos da Peugeot e Citroën já estavam em andamento e seguiram o cronograma original. Contudo, muitos desses veículos revelaram não serem adequados às demandas específicas da América do Sul, sendo pequenos ou simples demais. A continuidade desses projetos evidenciou a necessidade de uma independência maior na engenharia e na escolha de portfólio.

Para resolver essas incoerências, a Stellantis vem adotando a filosofia interna batizada de “fast lane”, impulsionada por executivos como Antonio Filosa, CEO global da Stellantis. O conceito garante liberdade quase total para que cada operação regional busque as parcerias e os produtos que façam mais sentido para o seu público. Isso elimina a obrigação de adotar plataformas globais que não se sustentem financeiramente no mercado sul-americano.

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É por isso que futuro de Peugeot e Citroën pode estar vinculado à parceria entre as empresas francesas e a Dongfeng, que antecede a própria Stellantis, acumulando quase três décadas de atuação conjunta na China por meio da joint-venture DPCA. As três empresas têm, inclusive, uma marca na China: a Hedmos, criada em 2025.

SUV elétrico cinza-chumbo, com design moderno e linhas fluidas, visto de frente e lateralmente. Possui faróis finos, grade frontal fechada e rodas de liga leve com detalhes pretos e prateados. Um emblema chinês está na placa dianteira
Hedmos S6 tem 4,67 m de comprimento e motor elétrico de 215 cv (Hedmos/Divulgação)

Ao contrário do acordo com a Leapmotor, da qual a Stellantis adquiriu 51% de participação, a relação com a Dongfeng ocorre mediante parcerias técnicas pontuais e independentes.

A engenharia brasileira já trabalha na adaptação de veículos oriundos desses projetos chineses para o mercado sul-americano. Esses desenvolvimentos contemplam carros compactos, picapes e SUVs, permitindo que a empresa atualize sua gama de produtos sem a necessidade de importar plataformas europeias, que costumam inviabilizar o preço final dos produtos no país.

A parceria com a Dongfeng pode ser estendida de outra forma, com a produção no Brasil de modelos dessa marca chinesa.

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