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Kia pode assumir operação brasileira e construir fábrica para ter perdão de dívida

Governo pode perdoar dívida fiscal bilionária da Ásia Motors, com a contrapartida de que a Kia construa uma fábrica

Por Nicolas Tavares 17 jul 2026, 11h44 | Atualizado em 17 jul 2026, 11h53
SUV Kia azul-escuro em movimento rápido na estrada, com a placa "QUATRO RODAS" em destaque na frente, parede de pedra e árvores ao fundo
Identidade da Kia dá “cara de elétrico” ao Sorento, mas ele é um SUV a diesel (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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A operação da Kia no Brasil está perto de passar por uma transição histórica até o fim deste ano. Após 34 anos sob a batuta do Grupo Gandini, a marca sul-coreana pode ter suas atividades locais comandadas pela Hyundai, sua proprietária global. A mudança, adiantada pelo jornalista João Anacleto, foi a solução encontrada para destravar um problema governamental que impedia a fabricante de produzir veículos no país.

O cerne da negociação está em um problema com o governo brasileiro. Existe uma dívida fiscal (supostamente de R$ 6 bilhões) que foi gerada pela Asia Motors, antiga importadora das vans Topic e Towner na década de 1990. A empresa havia recebido incentivos fiscais a partir da promessa de que construiria uma linha de montagem em Camaçari (BA), o que nunca aconteceu.

Asia Towner
Asia Towner (arquivo/Quatro Rodas)
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A disputa jurídica sobre essa dívida se arrasta por anos. A Kia global era acionista da Asia Motors do Brasil (AMB), e acabou virando o alvo para a execução por conta da dissolução da AMB, apontada como irregular pela Fazenda Nacional. Desde 2023, o caso retornou à 1º instância do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e a Kia voltou a ser considerada sucessora da AMB para a execução fiscal.

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José Luiz Gandini, presidente da Kia no Brasil, confirmou à QUATRO RODAS que a negociação entre a fabricante e o governo existe, mas que ainda não foi concluída. “Caso a governo aceite perdoar a dívida, a Kia construirá uma fábrica e eu saio da jogada”, explica o executivo, “só que não há nada definido ainda. Pode ser que eu continue por aqui por mais 34 anos.”

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Esta nova fábrica deverá ser erguida em Piracicaba (SP), próxima ao complexo já existe da Hyundai, com previsão de iniciar a operação em 2028. Será uma forma da Hyundai ampliar sua produção nacional, visto que o prédio atual não pode ser ampliado por falta de espaço. Ainda não há uma definição sobre quais carros da Kia poderão ser nacionalizados.

JMC Vigus
(Jetour/Divulgação)
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O futuro do Grupo Gandini e a chinesa JMC

Com o fim do ciclo à frente da Kia, o Grupo Gandini prepara sua continuidade no setor automotivo brasileiro. Como antecipado por QUATRO RODAS, a empresa negocia assumir a importação oficial da fabricante chinesa JMC (Jiangling Motors Corporation).

A aproximação já rendeu ações práticas, como o desembarque recente de unidades da picape média JMC Vigus, também conhecida no exterior como Grand Avenue, para baterias de testes e homologação no Brasil. Caso o martelo seja batido, esta será a segunda incursão do grupo paulista com uma fabricante da China, após a representação da Geely entre 2012 e 2014.

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A JMC possui uma operação internacional estruturada, sendo a parceira da Ford no desenvolvimento e fabricação do SUV Territory, importado atualmente para o Brasil. Focada em veículos comerciais e picapes, a montadora destina 63% da sua produção às exportações e mantém 16 linhas de montagem fora da China.

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