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GT Malzoni teve segunda geração criada a partir de carro da Quatro Rodas

O segundo GT Malzoni foi feito pelo filho de Rino, pai do primeiro GT, que por sua vez deu origem ao Puma

Por Fabiano Pereira 25 jan 2024, 13h15 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h42
GT Malzoni
Foram produzidas menos de 50 unidades no final dos anos 1970 (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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Criar um carro faz parte do sonho de boa parte dos meninos. Mas, daí para a realidade, as chances são quase as mesmas de se tornar um super-herói.

Já para o universitário Francisco “Kiko” Malzoni, que intercalava os estudos na faculdade de economia com modificações nos carros que dirigia, a empreitada não exigiria superpoderes. E aceitou o desafio de um amigo que queria um carro totalmente novo.

Aqui vale uma explicação e referência genética. Se você ainda não estabeleceu a ligação, Kiko é filho de Genaro “Rino” Malzoni, idealizador do Puma e um dos sócios da fábrica que o produziu.

GT Malzoni
As lanternas eram feitas com exclusividade para o esportivo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Para executar o pedido de um carro exclusivo, ao fim de 1975 Kiko pediu ao pai a forma do GT 4R – esportivo do qual foram feitos apenas três exemplares, sorteados em 1969 entre os leitores de QUATRO RODAS (a história completa foi publicada aqui, e o relato do último exemplar restaurado recentemente você lê aqui), que serviria de base para o projeto.

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O GT foi desenvolvido na oficina de um amigo no Rio de Janeiro. Pintura e acabamento foram feitos em São Paulo.

Rino gostou tanto do trabalho do filho que decidiu levar o carro ao Salão do Automóvel de 1976, ainda que achasse que o preço alto deveria inviabilizá-lo. Surpreendentemente, o custo de produção não foi suficiente para afastar os candidatos e os dois decidiram produzir o carro em Araraquara (SP), local em que foram concebidos os protótipos Puma.

GT Malzoni
Originalmente, os bancos eram de veludo com portas e painel de couro (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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GT Malzoni
Atrás dos bancos, um espaço para levar bagagens – ou crianças (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Quando QUATRO RODAS publicou suas Impressões ao Dirigir do GT em agosto de 1978, a produção já tinha sido transferida para Matão (SP), onde ficava a Marques Indústria e Comércio de Veículos, que adquiriu a patente do projeto.

Durante a reportagem, numa visita à fábrica, a reportagem conferiu uma versão conversível sendo desenvolvida. O cupê custava 220.000 cruzeiros, equivalente hoje a 162.000 reais.

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Os bancos eram originalmente de veludo e reclináveis e as portas, revestidas de couro, tinham vidros elétricos.

Ao volante, a ergonomia não era perfeita: o pé tocava de lado o acelerador e o freio de mão baixava até espremer os dedos. Forrado de couro, o painel era completo, mas o volante atrapalhava a visão.

GT Malzoni
Painel completo, com direito a voltímetro, amperímetro e manômetro de óleo (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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A genérica opção pela mecânica Volkswagen a ar facilitava a vida do construtor, mas impunha realistas 65 cv à proposta esportiva do carro. “Equipado com motor VW 1600, o carro não supera em velocidade máxima nem mesmo o Passat com motor de 1 500 cm3”, dizia QUATRO RODAS.

GT Malzoni
O motor VW 1600 a ar limitava a potência a 65 cv (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Em compensação, o teste registrava que, nas frenagens mais bruscas, o carro não alterava a trajetória e ressaltava o reduzido nível de ruído. Em defesa do desempenho de sua criatura, o criador afirma que, pelo fato de ter acordo com os principais preparadores da divisão 3 na época, boa parte da produção saiu com motor 2.0 e potência em torno de 110 cv.

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“O último deve ter sido feito em 1978”, diz Kiko. Sua estimativa é de 35 a 45 unidades produzidas no total. Ele seguiu carreira em economia e finanças, mas guarda em sua garagem algumas das melhores obras de Rino. Homenagem a um clássico da nossa indústria, o segundo GT Malzoni foi um atraente exemplo de como a paixão por carros passa de pai para filho.

GT Malzoni
Faróis duplos escamoteáveis e carroceria de fibra de vidro (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ficha técnica – GT Malzoni 1978

  • Motor: traseiro, 4 cilindros boxer, 1.584 cm³, 2 carburadores de corpo simples, comando de válvulas no cabeçote
  • Diâmetro x curso: 85,5 x 69 mm
  • Taxa de compressão: 7,2:1
  • Potência: 65 cv a 4.600 rpm
  • Torque: 11,7 mkgf a 3.200 rpm
  • Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
  • Dimensões: comprimento, 390 cm; largura, 168 cm; altura, 114 cm; entre-eixos, 240 cm; peso: 770 kg
  • Suspensão: Dianteira: independente, com barras de torção em feixes, barra estabilizador. Traseira: independente, com semieixos oscilantes, barras de torção, barra compensadora
  • Freios: disco nas rodas dianteiras e tambor nas traseiras
  • Rodas e pneus: liga de antálio, 6 x 13 na dianteira e 8 x 13, pneus radiais 185/70 HR 13
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