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BYD vê lucro cair 55% no primeiro trimestre, mas exportações batem novo recorde

Custos de produção maiores e fim de incentivos fiscais derrubam margens da fabricante no primeiro trimestre de 2026

Por Nicolas Tavares 4 Maio 2026, 09h13
BYD Yuan Plus
 (CarNewsChina/Gemini-Mini/Reprodução)
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A BYD encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma redução de 55% em seu lucro líquido, uma consequência da intensa guerra de preços no mercado chinês. Segundo dados consolidados pela agência Bloomberg e pelo portal CnEVPost, o ganho da montadora recuou para 4,09 bilhões de yuans. O montante equivale a cerca de R$ 3 bilhões na conversão direta.

A queda nos lucros reflete o impacto do fim das isenções fiscais integrais para veículos elétricos e híbridos na China. O governo local reduziu o incentivo pela metade neste ano, o que antecipou muitas compras para o último trimestre de 2025 e provocou uma paralisação nas concessionárias no início de 2026.

BYD INSIDE
(Divulgação/Quatro Rodas)

Para tentar manter a fatia de mercado frente a rivais como Xiaomi e Geely, a fabricante precisou aplicar sucessivos cortes nos valores de seus carros. A receita total da marca no trimestre foi de 150,2 bilhões de yuans (cerca de R$ 106,6 bilhões em conversão direta), um recuo de quase 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além da redução no volume de vendas internas, a rentabilidade por carro diminuiu. O cenário competitivo forçou a montadora a absorver parte da inflação na cadeia de suprimentos. Os custos de componentes de hardware subiram no mundo todo, o que encareceu a produção dos sistemas eletrônicos dos veículos.

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A atualização opcional do sistema de assistência à condução God’s Eye B, por exemplo, passou de 9.900 para 12.000 yuans. Essa diferença de 2.100 yuans (cerca de R$ 1.490 em conversão direta) foi repassada ao consumidor para compensar a alta nos custos de armazenamento de dados.

A fabricante também precisou lidar com perdas cambiais significativas nos três primeiros meses do ano. As despesas financeiras somaram 2,1 bilhões de yuans (cerca de R$ 1,4 bilhão), um aumento superior a 210% sobre o ano passado.

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Se o mercado interno apresenta retração, as operações internacionais mostram um cenário inverso. As vendas fora da China somaram 321.165 unidades no trimestre, um aumento de quase 56% na comparação com o ano anterior. As exportações já representam cerca de 45% do volume total comercializado pela marca.

BYD Great Tang EV
(Divulgação/BYD)

Esse movimento de internacionalização se manteve em abril de 2026. A fabricante enviou 134.542 carros e picapes para o exterior, uma alta de 70,9%. O objetivo da empresa é fechar o ano com 1,5 milhão de unidades exportadas para contrabalançar as perdas domésticas.

Enquanto ajusta sua operação para o novo cenário, a BYD tenta manter o fluxo de caixa com mais produtos inéditos. Durante o último Salão de Pequim, a marca apresentou o novo Great Tang, um SUV de grande porte com espaço para sete ocupantes, que recebeu mais de 30 mil pedidos em seu primeiro dia. O utilitário chega ao mercado chinês com preço inicial de 250.000 yuans, equivalentes a aproximadamente R$ 177.000.

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