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Carros elétricos e híbridos importados passam a pagar 35% de imposto

Nova alíquota unificada atinge o limite máximo exigido para modelos importados e encerra cronograma do governo

Por Nicolas Tavares 1 jul 2026, 09h37 | Atualizado em 3 jul 2026, 16h59
teste comparativo | GEELY EX2 x BYD DOLPHIN
 (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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O imposto de carros elétricos e híbridos importados atingiu a alíquota máxima de 35% nesta quarta-feira. A mudança encerra o escalonamento gradual estabelecido pelo Governo Federal por meio do Programa Mover, unificando a taxação alfandegária para todos os veículos eletrificados que entram no mercado brasileiro.

A medida coloca fim a um longo período de incentivos iniciado em 2016, quando os modelos elétricos e híbridos desfrutavam de taxas reduzidas para o imposto de importação. No começo da transição do atual formato, os veículos híbridos pagavam apenas 12% de alíquota, enquanto os elétricos puros eram tributados em 10%.

Carro elétrico Aion Y Plus verde-azulado em movimento numa pista de corrida, com montanhas e árvores ao fundo sob céu claro
(Divulgação/GAC)

A escalada dos tributos ocorreu em quatro etapas para dar previsibilidade ao setor automotivo. Em julho de 2024, os híbridos convencionais saltaram para 25%, plug-ins para 20% e elétricos para 18%. No ano seguinte, as taxas subiram para 30%, 28% e 25%, até alcançarem agora o teto estabelecido pela Organização Mundial do Comércio.

Propulsão: Híbrido (HEV) Híbrido Plug-in (PHEV) Elétrico a bateria (BEV)
Janeiro/2024 12% 12% 10%
Julho/2024 25% 20% 18%
Julho/2025 30% 28% 25%
Julho/2026 35% 35% 35%

O último aumento do imposto põe um fim à uma longa disputa entre a Anfavea, associação que representa as fabricantes automotivas no Brasil, e as marcas chinesas. A volta da cobrança da alíquota foi um pedido da entidade, que chegou a solicitar diversas vezes ao governo que antecipasse o cronograma e passasse a cobrar o teto de 35% imediatamente para conter o avanço dos importados, sob a alegação de riscos severos para a produção nacional instalada.

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O argumento defensivo baseia-se no crescimento das importações, que registraram alta de 38% nos primeiros cinco meses de 2024. Desse volume total, as marcas chinesas responderam por 82% das unidades desembarcadas nos portos do país, gerando mobilização do bloco de fabricantes com fábricas consolidadas por aqui.

Fabricantes de origem chinesa, como a BYD, projetavam fechar o período com 120.000 automóveis importados. Esse volume motivou o pedido da Anfavea para criar uma cota de importação linear, limitada a 4.800 veículos por ano para cada empresa que aderiu ao Programa Mover.

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Do outro lado da disputa tarifária, a associação das empresas importadoras, a Abeifa, manifestou forte oposição ao viés de fechamento de fronteiras. A entidade defende que a abertura de mercado ocorrida na década de 1990 foi o elemento gerador da competitividade e do atual parque industrial brasileiro.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços optou por não ceder às pressões de antecipação e manteve o cronograma progressivo que deságua nos 35%. As marcas que possuem projetos ativos de manufatura em solo nacional continuam operando com cotas de isenção limitadas.

Enquanto isso, as marcas chinesas repetiram a estratégia de importar o máximo de carros que poderiam antes do novo aumento do imposto, criando estoque o suficiente para os próximos meses. Com isso, a nova alíquota não deve afetar os preços imediatamente.

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Fábrica da GWM no Brasil

A tributação terá um efeito maior na atuação das empresas que estão chegando agora ao Brasil. Fabricantes como BYD, GWM, Geely, GAC, Leapmotor e MG evitarão o imposto com a produção nacional. Tanto a BYD quanto a GWM já possuem linhas de montagem locais – a GWM até anunciou uma segunda fábrica para 2029, desta vez em Espírito Santo.

No caso das outras quatro marcas, a montagem nacional será feita a partir de parcerias. A Leapmotor tem um acordo global com a Stellantis, que cuida das operações fora da China e confirmou a produção dos SUVs B10 e C10 em Goiana (PE). A situação da Geely é parecida, após investir na Renault do Brasil para criar uma joint venture local. A marca francesa cuida de todo o negócio local e vai montar o EX2 e o EX5 em São José dos Pinhais (PR) a partir deste ano.

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Linha de montagem de veículos com um carro cinza escuro suspenso em uma plataforma amarela, ao lado de um chassi com motor e componentes elétricos, também em plataforma amarela. Pneus novos estão em um carrinho amarelo à esquerda, e outros carros são visíveis ao fundo, em diferentes estágios de montagem
(Paulo Campo Grande/Quatro Rodas)

A GAC buscou a HPE Automotores, representante da Mitsubishi no Brasil, fechando um acordo para produzir carros para a empresa chinesa. Algo semelhante será feito pela MG, que contratou a Comexport para fazer o MG4 Urban e o MG S5 em Horizonte (CE), no mesmo esquema de montagem adotado para os Chevrolet Spark EUV e Captiva EV.

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