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Volkswagen Parati Surf era a queridinha de quem queria pegar uma onda

Para os entusiastas da VW, o modelo representou o momento mais feliz nos 30 anos de história da perua

Por Felipe Bitu 11 Maio 2024, 12h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h48
VW Parati Surf
Nascida em 1994, a Parati Surf chamava mais atenção que a top de linha GLS  (/)
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VW Parati Surf

Quando o Passat Surf foi lançado em 1978, houve quem sentisse falta de um bagageiro para transportar pranchas no teto. A temática praiana empregada pelo fabricante de São Bernardo do Campo (SP) conquistou um público jovem que buscava um carro versátil e confortável, com boa dirigibilidade e desempenho satisfatório para curtir os fins de semana no litoral.

O Passat deixou a praia de mansinho, mas entregou a parafina à Parati, nascida em 1982. A perua derivada do Gol tornou-se queridinha dos jovens surfistas e também dos pais de família trintões e quarentões que surfaram em verões passados.

O sucesso era tanto que aniquilou a concorrência, formada por Fiat Panorama, Chevrolet Marajó e Ford Belina.

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VW Parati Surf

Com o fim do Passat em 1988, a Parati desceu a serra sozinha. Seu carisma era tão forte que, nos anos 90, enfrentou sem medo rivais mais atuais, como Fiat Elba e Chevrolet Ipanema, ambas com quatro portas. Mas a iminente chegada do Gol Bolinha (G2) em 1994 indicava que se aproximava a hora de se aposentar.

Foi uma despedida em grande estilo: a velha rata de praia ganhou um banho de loja que a deixou mais vistosa que a top de linha GLS.

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Denominada Surf, a série especial trazia em 1994 – ainda com a cara da primeira geração – itens exclusivos e acessórios vindos de outros modelos, facilmente identificáveis pelos entusiastas da marca alemã.

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A pintura metálica (sempre na cor Azul Havaí) se estendia pela carcaça dos espelhos, servindo de base para a decoração externa formada por grafismos em forma de onda aplicados nas laterais.

Sobre o teto, o prático bagageiro que o Passat nunca ofereceu. Os faróis auxiliares de longo alcance sobre o para-choque dianteiro eram um charme à parte.

 

O interior continuava o mesmo: espaço para quatro adultos e um bom porta-malas (para a época) de 382 litros, comprometido só pelo estepe posicionado na vertical. Os encostos de cabeça eram vazados, de acordo com a tendência. A manopla de câmbio do Gol GTS e o volante de quatro raios do Santana encerravam os últimos retoques de esportividade.

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Mesmo assim, a Parati não escondia sua origem franciscana: o painel de instrumentos trazia velocímetro, conta-giros, hodômetro parcial, relógio digital e marcador de temperatura, mas sem manômetro de óleo. O sistema de som se resumia a quatro alto-falantes: além do rádio toca-fitas, faltava também o acionamento elétrico de travas, vidros e espelhos.

VW Parati Surf

De opcional, só ar-condicionado e a direção hidráulica progressiva, notável pela sua leveza e precisão. As rodas de liga eram outra herança do Santana e vinham com largos pneus 185/60 R14. Neutra, a Parati Surf era levemente subesterçante no limite da aderência, mas a falta de discos ventilados comprometia as frenagens.

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O motor VW AP-1800 tinha ânimo de sobra. Seu torque generoso casava perfeitamente com o câmbio de relações longas, que permitia ao motor girar a menos de 3 000 rpm a 120 km/h. A aerodinâmica precária comprometia o rendimento: velocidade máxima de 163,5 km/h e consumo rodoviário de 12,16 km/l, no teste da QUATRO RODAS de abril de 1993.

Hoje, os poucos exemplares remanescente da Parati Surf são mais disputados que ondas na praia de Waikiki – a que ilustra esta reportagem, um modelo 1995, pertence ao colecionador paulista Samuel Rezaghi Souza.

Reeditada em 2008, a série especial Surf (agora com mais cores) foi apenas uma vã tentativa de disfarçar as rugas da combalida quarta geração, que já não era referência de conforto, dirigibilidade ou desempenho. O melancólico crepúsculo nem de longe lembrava os áureos tempos em que a Parati reinava absoluta pelas praias brasileiras.

FICHA TÉCNICA
Motor longitudinal, quatro cilindros em linha, 8V
Cilindrada 1.781 cm³
Potência 88 cv a 5.200 rpm
Torque 14,7 mkgf a 3.400 rpm
Câmbio manual, cinco marchas, tração dianteira
Dimensões 407,5 cm (comprimento); 144,6 cm (altura); 162,2 cm (largura); 235,8 cm (entre-eixos)
Peso 975 kg
Pneus 185/60 HR14 radiais
Consumo urbano 8,22 km/l
Consumo rodoviário 12,16 km/l
0 a 100 km/h 13,33 s
Velocidade máxima 163,5 km/h

 

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