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VW Parati LS: como a perua do Gol se tornou ícone dos anos 80

Lançada em 1982 para substituir a Variant II, a perua derivada do Gol combinava bom porta-malas, esportividade e liderou o mercado durante anos

Por Fernando Garcia 31 Maio 2026, 11h00
VW Parati LS: como a perua do Gol se tornou ícone dos anos 80 Priorizar nos meus resultados Google
Linhas retas e mecânica originada do Passat
Linhas retas e mecânica originada do Passat (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Após o fim da produção da Variant II, em dezembro de 1980, a Volkswagen ficou sem representante no segmento de peruas. Com a concorrência investindo em projetos de concepção mais moderna, a montadora alemã precisava reagir rapidamente.

A solução estava no projeto BX, iniciado em 1976. Dele surgiram sucessos como o Gol e o sedã Voyage. Baseada no desenho desses dois modelos, a marca elaborou uma versão perua, lançada no mercado em junho de 1982.

Com a chegada da recém-batizada Volkswagen Parati, cada uma das quatro principais montadoras nacionais passou a ter sua própria perua. O segmento dividia-se entre as compactas Chevrolet Marajó e Fiat Panorama, e as médias Ford Belina e Chevrolet Caravan.

Apesar de utilizar a mesma plataforma do Gol, a suspensão dianteira da perua recebeu molas e amortecedores recalibrados, enquanto a traseira ganhou reforços nos braços. O eixo traseiro também adotou válvulas equalizadoras de pressão dos freios, garantindo eficiência independentemente do peso da carga transportada.

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O friso ajudava a proteger a lateral e era privativo da LS
O friso ajudava a proteger a lateral e era privativo da LS (Marco de Bari/Quatro Rodas)

O porta-malas acomodava 620 litros até o teto com o banco traseiro na posição normal, e 1.380 litros com o encosto rebatido. Como novidade na época, a Volkswagen ofereceu pela primeira vez rodas de liga leve como equipamentos opcionais.

No primeiro teste publicado por QUATRO RODAS, em junho de 1982, o jornalista Claudio Carsughi elogiou o equilíbrio da suspensão e dos freios com a perua vazia ou carregada. No entanto, apontou a ausência de um marcador de temperatura do motor na versão topo de linha GLS.

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No lançamento, a perua era equipada com o motor 1.5 a gasolina de 78 cv, herdado do Passat. Na pista, a Parati chegou aos 143,7 km/h de velocidade máxima e precisou de 16,54 s para acelerar de 0 a 100 km/h.

Dois meses depois, chegou o motor 1.6, também emprestado do hatch médio, disponível nas opções a gasolina e a álcool. Em um comparativo contra a Belina publicado em agosto de 1982, ambas 1.6 a álcool, notou-se a melhora na dirigibilidade da Parati e sua maior agilidade nas ultrapassagens. A máxima subiu para 157,8 km/h, com o 0 a 100 km/h caindo para 13,91 s.

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Vista a partir do banco da frente, a Parati é um perfeito Gol
Vista a partir do banco da frente, a Parati é um perfeito Gol (Marco de Bari/Quatro Rodas)

No consumo rodoviário, contudo, a perua da Ford levou vantagem graças ao câmbio de cinco marchas. As versões LS e GLS da Parati só passariam a oferecer essa transmissão no fim de 1984, mudança que fez o consumo rodoviário melhorar de 11,62 km/l para 13,03 km/l com o carro vazio.

O exemplar nas fotos é uma Parati LS a álcool, com câmbio de quatro marchas, fabricada em 1986 na cor cinza Hymalaya. O modelo pertence ao comerciante Camilo Cechinel Fontana, de Curitiba (PR). “Uso o carro em viagens e digo que não deve nada aos novos. O desempenho é excelente, mas o consumo fica entre 6,5 km/l e 7 km/l”, afirma o proprietário.

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Ao adotar o mesmo bloco e cabeçote do motor 1.8 do Santana, o propulsor 1.6 ganhou 4 cv na linha 1986. No ano seguinte, a perua recebeu uma nova dianteira e um bagageiro de teto, passando a render 90 cv.

Na humildade do painel, o relógio de horas é luxo
Na humildade do painel, o relógio de horas é luxo (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Nessa época, o modelo chegou ao mercado norte-americano com o nome de Fox Wagon. Posicionada abaixo do Golf, a perua sofreu mais de 2.000 alterações para se adaptar à rigorosa legislação local, incluindo a adoção de injeção eletrônica e catalisador — tecnologias que só ganhariam força no Brasil a partir de 1992.

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“Sua performance surpreendente e excelente visibilidade, aliadas ao visual agradável, fazem da VW Fox GL Wagon mais que apenas a líder de seu segmento. Ela provavelmente será a campeã geral de vendas”, publicou a revista americana Motor Trend, em fevereiro de 1988.

No Brasil, o motor 1.8 de 96 cv foi a grande novidade daquele mesmo ano. Mesmo após a chegada das concorrentes Fiat Elba e Chevrolet Ipanema, na segunda metade da década de 1980, a Parati continuava se destacando pelo desempenho. A perua liderava o segmento desde 1983 e mantinha o apelo entre os jovens, mas a idade do projeto começava a ser notada.

O porta-malas leva 620 litros. Com encosto rebatido, 1.380
O porta-malas leva 620 litros. Com encosto rebatido, 1.380 (Marco de Bari/Quatro Rodas)

A escalada de potência continuou com a segunda geração, conhecida como “bolinha”, introduzida na linha 1996. O visual acompanhava as mudanças do Gol de 1995, trazendo vidros basculantes para os passageiros traseiros. Sendo a primeira Parati nacional com injeção eletrônica, adotou o motor 2.0 de 109 cv (o mesmo do Gol GTI), além de oferecer freios ABS como equipamento opcional.

Em 1997, o destaque foi a chegada do motor 1.0 16V de 69 cv. No ano seguinte, a carroceria finalmente ganhou a configuração de quatro portas. O modelo chegou a contar com uma inusitada versão equipada com motor 1.0 Turbo de 112 cv. A partir daí, a Parati seguiu as reestilizações do Gol e investiu em configurações com apelo esportivo ou aventureiro, como Summer, Sunset, Track & Field e Crossover.

Com três décadas de história, a perua perdeu espaço gradativamente para a rival Fiat Palio Weekend. A produção da Parati foi encerrada em 2012, quando acabou substituída na gama da Volkswagen pela SpaceFox, que não repetiu o mesmo sucesso comercial.

* Reportagem originalmente publicada na edição 575 de fevereiro de 2008

Ficha técnica – VW Parati LS 1986

  • Motor: dianteiro, longitudinal, 4 cilindros, 1.588 cm3, carburador de corpo duplo, a álcool
  • Diâmetro e curso: 79,5 x 80 mm
  • Taxa de compressão: 12:1
  • Potência: 81 cv a 5.200 rpm
  • Torque: 12,8 kgfm a 2.600 rpm
  • Câmbio: manual de 4 marchas, tração dianteira
  • Dimensões: comprimento, 409 cm; largura, 162 cm; altura, 138 cm; entre-eixos, 236 cm
  • Peso: 922 kg
  • Direção: mecânica, tipo pinhão e cremalheira
  • Rodas e pneus: liga leve, aro 13, tala 5 polegadas; pneus 175/70 SR13

Teste QUATRO RODAS – março de 1984

  • Aceleração 0 a 100 km/h: 14,6 s
  • Velocidade máxima: 154,0 km/h
  • Frenagem 80 km/h a 0: 35 metros
  • Consumo: 8,69 km/l (urbano), 11,62 km/l (rodoviário, vazio)
  • Preço (fevereiro de 1984): Cr$ 8,3 milhões
  • Preço atualizado (abril de 2026 / INPC-IBGE): R$ 111.450
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