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VW Apollo GLS: como andava o Ford Verona da Volks que substituiu o Passat

O sedã marcou o início da Autolatina ao adotar a base do Ford Verona, mas entregava desempenho superior e suspensão mais firme na versão esportiva GLS

Por Fabiano Pereira 18 abr 2026, 16h58
O Apollo era um Ford Verona com leves mudanças
O Apollo era um Ford Verona com leves mudanças (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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Seu nome homenageava o deus grego da beleza e também a nave espacial americana que aterrissou na Lua. No entanto, quando o Volkswagen Apollo surgiu em 1990 nas versões GL e GLS, a sua trajetória foi bem mais modesta.

Pela primeira vez no Brasil, um carro de uma marca passou a ser oferecido por outra com modificações apenas pontuais. O modelo era o primeiro fruto claramente perceptível da joint-venture Autolatina, formada por Ford e Volkswagen em 1986.

Até então, a parceria se resumia ao uso do motor 1.8 da Volkswagen no Ford Escort. O Apollo estreou como a versão com emblema Volks do recém-lançado Ford Verona. A sua missão comercial era suprir a lacuna deixada com o fim do Passat.

Aerofólio e lanternas fumês o tornavam diferente do irmão
Aerofólio e lanternas fumês o tornavam diferente do irmão (Christian Castanho)

Enquanto o Verona oferecia opções de motores 1.6 e 1.8, o Apollo trazia apenas o propulsor de maior cilindrada. O conjunto mecânico adotava o câmbio com relações mais curtas do Escort XR3. Além disso, os amortecedores do sedã da Volkswagen eram mais rígidos para garantir uma condução mais firme.

Na edição de junho de 1990, QUATRO RODAS destacou que as diferenças não eram grandes, mas suficientes para serem notadas ao volante. Na retomada de 40 a 100 km/h, o Apollo era mais ágil, cumprindo a prova em 19,8 segundos contra 26,3 segundos do Verona.

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A agilidade se traduzia em ultrapassagens mais seguras, mas cobrava o preço no consumo urbano. O modelo da VW rodava 8,67 km/l na cidade, enquanto o Ford atingia 9,06 km/l.

Motor 1.8 carburado produzia 93 cv e 16,1 mkgf
Motor 1.8 carburado produzia 93 cv e 16,1 mkgf (Christian Castanho)

O visual do Apollo trazia pintura sempre metálica. A grade dianteira exibia desenho próprio, os vidros tinham moldura cinza e os retrovisores acompanhavam a cor da carroceria. O sedã adotava ainda lanternas escurecidas e aerofólio na tampa do porta-malas.

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Por dentro, o painel e o volante exibiam desenhos exclusivos, com iluminação dos instrumentos em tom laranja e relógio digital integrado.

O modelo da Volks tinha painel próprio (o Vernoa usava o do Escort)
O modelo da Volks tinha painel próprio (o Verona usava o do Escort) (Christian Castanho)

Quase todos os opcionais do Verona viraram itens de série no Apollo GLS. A lista incluía rodas de liga leve, ajuste lombar dos bancos, vidros elétricos, apoios de cabeça traseiros, aquecedor e rádio. A exclusividade custava caro e o seu preço era cerca de 20% maior.

Em julho de 1990, a revista comparou o GLS ao Verona GLX e ao Chevrolet Monza SL/E, líder do segmento na época. Mesmo diante do motor 2.0 do Monza, o Apollo andou mais. As críticas recaíram sobre a posição do volante, sem regulagem de altura, e o funcionamento dos vidros elétricos, restrito à ignição ligada. O custo elevado de manutenção também foi pontuado.

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Interior era praticamente igual ao do Verona, mas a maioria dos itens opcionais do Ford eram de série no Apollo
Interior era praticamente igual ao do Verona, mas a maioria dos itens opcionais do Ford eram de série no Apollo (Christian Castanho)

A versão de entrada GL trazia para-choques pretos e calotas, enquanto o GLS adotava peças na cor da carroceria. O modelo mais básico não tinha ar-condicionado nem como opcional, além de dispensar o conta-giros e o relógio digital.

O pacote mais completo incluía vidros verdes, para-brisa degradê e faróis halógenos, mas custava quase o mesmo que um Santana CL 2000. O GL ganhou direção hidráulica em novembro de 1990. Em 1993, o Apollo cedeu espaço ao Logus, após registrar 53.130 unidades fabricadas.

Com apenas duas portas, acesso ao banco traseiro é complicado
Com apenas duas portas, acesso ao banco traseiro era tipicamente complicado (Christian Castanho)
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O assistente comercial paulistano Luis Antonio Zanatta é o proprietário do GLS 1992 que ilustra esta reportagem. Ele comprou o sedã de um senhor que o manteve parado por mais de cinco anos. Zanatta afirma que garimpou revistas de época em sebos para restaurar o modelo e deixá-lo exatamente como saía de fábrica.

Mais tarde, a Autolatina lançou os gêmeos Volkswagen Santana e Ford Versailles, além da dupla Volkswagen Logus e Ford Verona de segunda geração. Os projetos mantiveram o padrão de leves diferenças visuais, seguindo a mesma rota aberta quando a base mecânica da Ford estreou na linha Volkswagen com o Apollo.

Teste QUATRO RODAS – junho de 1990

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,71 s
  • Velocidade máxima: 163,9 km/h
  • Frenagem 80 km/h a 0: 30,7 m
  • Consumo: 8,67 km/l (cidade), 14,85 km/l (a 100 km/h, vazio)
  • Preço (junho de 1990): NCr$ 1.300.000
  • Preço (atualizado IPCA/IBGE): R$ 207.963

Ficha técnica – Apollo GLS 1990 (gasolina)

  • Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.781 cm³, carburador de corpo duplo, a gasolina
  • Diâmetro x curso: 81,0 x 86,4 mm
  • Taxa de compressão: 8,5:1
  • Potência: 93 cv a 5.600 rpm
  • Torque: 16,1 mkgf a 2.800 rpm
  • Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
  • Carroceria: sedã de 2 portas
  • Dimensões: comprimento, 4,21 m; largura, 1,64 m; altura, 1,33 m; entre-eixos, 2,40 m; peso, 980 kg
  • Suspensão: independente, McPherson nas 4 rodas
  • Freios: disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira com servo
  • Rodas e pneus: liga leve, 5,5×13, pneus 175/70 SR13
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