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Clássicos: a espaçosa, refinada e policialesca Chevrolet Veraneio

Cultuada por uns e temida por outros, a Chevrolet Veraneio marcou época ao unir robustez de picape e conforto de automóvel

Por Felipe Bitu 20 jul 2024, 12h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h52
 (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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Clássicos: a espaçosa, refinada e policialesca Chevrolet Veraneio Priorizar nos meus resultados Google
Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
A Veraneio De Luxo levava até 9 pessoas, mas não tinha o ar de viatura das versões básicas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Inicialmente Companhia Geral de Motores do Brasil, a General Motors do Brasil iniciou suas atividades em 1925 no bairro paulistano do Ipiranga.

Apesar de focado na produção de utilitários, o fabricante norte-americano preparou uma grata surpresa para o 4º Salão do Automóvel, em 1964: a belíssima perua Chevrolet C-1416.

O responsável pelo design foi Luther Whitmore Stier, expatriado que chefiava o departamento de estilo da GM desde 1957.

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Sem excessos, as linhas básicas já haviam sido apresentadas meses antes, no lançamento das picapes C-1404 (chassi curto), C-1505 (chassi longo) e C-1414 (chassi curto com cabine dupla).

Foi um salto em relação à rústica Chevrolet Amazona. Relativamente baixa, a cabine da C-1416 tornava o acesso tão fácil que os estribos laterais ficavam restritos a crianças e pessoas de baixa estatura.

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As quatro portas eram primazia nacional: a equivalente americana Suburban tinha apenas duas (e só ganharia quatro em 1973).

Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
(Christian Castanho/Quatro Rodas)

Uma de suas maiores virtudes era o conforto de rodagem similar ao de um automóvel de passeio, mérito da suspensão dianteira independente e de molas helicoidais também no eixo traseiro.

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Nove pessoas se acomodavam com relativo conforto (ou seis sem o terceiro banco opcional) e o acesso ao generoso porta-malas era favorecido pela ampla tampa com abertura para cima.

Era um utilitário de luxo grande, bonito e potente, principalmente quando colocado ao lado da decana Willys Rural.

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Ampla área envidraçada, pedais suspensos e câmbio de três marchas sincronizadas facilitavam sua condução. Suas quase 2 toneladas eram impulsionadas pelo tradicional motor Chevrolet Brasil de seis cilindros, 4,3 litros e 142 cv.

Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
Volante menor do Opala SS indicava a presença de direção hidráulica (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A relação da segunda marcha foi logo encurtada, melhorando a agilidade: o 0 a 100 km/h baixou de 20,7 para 18,3 segundos, excelente para a época.

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A máxima em torno dos 140 km/h exigia atenção com a direção lenta (mais de seis voltas de batente a batente) e com os freios a tambor nas quatro rodas.

Foi só em 1969 que a C-1416 tornou-se Veraneio. A natureza aprazível do nome contrastava com a destinação dada a uma enorme parcela dos compradores: órgãos governamentais, especialmente forças policiais.

Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
Banco rebatível transforma o porta-malas em dormitório (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Foram muitos os que passearam de Veraneio a contragosto, incluindo personalidades da cena política atual.

Mas nem isso maculou seu prestígio: a Veraneio De Luxo surgiu em 1970 trazendo um novo padrão de acabamento, com apliques no painel imitando jacarandá, painéis de porta redesenhados, rádio, porta-malas acarpetado, faixas pintadas nas laterais, garras nos para-choques e calotas integrais.

A lista de opcionais trazia bancos dianteiros reclináveis, pintura metálica e revestimento do teto em vinil.

Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
(Christian Castanho/Quatro Rodas)

Em 1971, os quatro faróis pequenos foram substituídos por dois maiores e a grade dianteira passou a ser formada por três frisos horizontais com o logotipo no centro.

Dois anos depois, a aguardada direção hidráulica entrou para a lista de opcionais, facilmente identificada pelo volante do Opala SS.

Em 1976, ela passou a ser oferecida com o motor 2.5 de quatro cilindros do Opala, com parcos 87 cv a 4.800 rpm e 17 mkgf a 2.600 rpm.

Foi preciso recorrer ao câmbio M20 de quatro marchas com alavanca no assoalho e um diferencial com a absurda relação de 4,78:1.

Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
(Christian Castanho/Quatro Rodas)

A última reestilização foi em 1979, adotando um novo capô e grade de plástico moldado.

Pouco depois vieram os freios dianteiros a disco e, em 1981, o motor Chevrolet Brasil de 4,3 litros foi substituído pelo seis-cilindros de 4,1 litros do Opala, movido a gasolina ou etanol e acoplado a um câmbio de quatro marchas com alavanca no assoalho.

Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
(Christian Castanho/Quatro Rodas)

A nossa Veraneio deixou de ser produzida em 1989: foi sucedida por uma variação da Chevrolet Suburban de 1973, igualmente longeva nos EUA.

Carismática ou não, o fato é que ninguém fica indiferente a ela: colecionadores americanos já vieram buscar algumas unidades, levando-as para muito longe de qualquer estigma.

Chevrolet Veraneio De Luxo 1974
(Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ficha técnica – Chevrolet Veraneio De Luxo 1974

  • Motor: longit., 6 cil. em linha, 4.278 cm3, 12V, comando de válvulas simples no bloco, carburador simples; 151 cv a 3.800 rpm; 32,09 mkgf a 2.400 rpm.
  • Câmbio: manual de 3 marchas, tração traseira.
  • Dimensões: compr., 516 cm; larg., 197 cm; alt., 173 cm; entre-eixos, 292 cm; peso, 1.870 kg.
  • Pneus: 7.10 x 15

Teste – Abril de 1976

0 a 100 km/h: 22,67 segundos.
Velocidade máxima: 137,9 km/h.
Consumo: 5,91 km/l a 100 km/h.
Preço: Cr$ 99.528 (março de 1976), Atualizado: R$ 190.700 (atualizado, IGP-DI/FGV).

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