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Pneu nacional ou importado? Entenda porque o brasileiro é mais resistente

Especialista explica como a "tropicalização" e uma bateria de 40 testes garantem durabilidade superior para as estradas brasileiras

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
15 dez 2025, 14h51 • Atualizado em 16 dez 2025, 11h26
Pneu baixo, calibragem alta: rodagem é dura
Brasil tem condições extremas para os pneus (Marco de Bari/Quatro Rodas)
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  • O consumidor brasileiro vive um dilema constante na hora da troca: investir em um pneu nacional ou optar por um importado, muitas vezes atraído por preços competitivos. A resposta técnica, porém, derruba o senso comum. Para rodar no Brasil, o produto feito aqui leva vantagem por um fator decisivo: a resistência estrutural.

    A superioridade do pneu nacional não está na tecnologia da borracha em si, mas na sua construção adaptada. Enquanto produtos importados são projetados para as boas rodovias europeias, japonesas, chinesas ou americanas, os nacionais passam por um processo de tropicalização severo, que inclui um bom reforço da sua carcaça.

    Os pneus nacionais são reforçados para suportar o impacto de buracos, valetas e asfalto degradado sem sofrer rupturas catastróficas, contou o consultor de tecnologias inovativas da Pirelli, Roberto Falkenstein, no décimo episódio do QR Cast. De acordo com o especialista, os pneus brasileiros são até mais resistentes que os europeus. Na Europa, onde as estradas são melhores, os pneus não precisam ser tão resistentes.

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    Logicamente, todo pneu pode formar bolha ou estourar dependendo da velocidade e da cratera que encontrar pela frente. Mas a chance de um pneu desenvolvido localmente sobreviver a esse impacto é estatisticamente maior. A estrutura interna (carcaça e cintas) recebe reforços específicos para aguentar a realidade brasileira, algo que muitas vezes não é prioridade em projetos globais.

    O laboratório da vida real

    Antes de chegar às lojas, um pneu nacional enfrenta uma maratona técnica que envolve mais de 40 tipos de testes diferentes. Um pneu não é testado apenas em velocidade. Existem pistas específicas para avaliar o comportamento em piso seco e molhado, além de outras próprias para medição de ruído e frenagem.

    Ombro danificado, pneu condenado
    Ombro danificado, pneu condenado (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)
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    O “pulo do gato” está na variedade de superfícies. No caso do campo de provas da Pirelli, em Elias Fausto (SP), há pistas que replicam paralelepípedos, concreto e asfaltos com diferentes níveis de rugosidade para garantir que o composto aguente a abrasão típica das nossas estradas.

    Tortura 24 horas por dia

    Além da pista, a resistência é provada em laboratório. Na fábrica de Campinas (SP), fica o principal centro de testes indoor, com máquinas onde os pneus rodam 24 horas por dia, sete dias por semana, submetidos a sobrecargas de peso e pressão superiores ao limite recomendado. O objetivo é levar o produto ao extremo para garantir que, no uso normal, ele tenha uma margem de segurança robusta. Só após ser aprovado nessa “tortura” é que o pneu recebe o sinal verde para o mercado.

    Pneus Pirelli
    Fábrica de pneus (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    Eficiência no bolso

    Outro ponto crucial testado nesses laboratórios é a resistência ao rolamento. Esse parâmetro define o quanto o pneu gera de atrito prejudicial à eficiência do carro. Um pneu nacional moderno é calibrado para oferecer a melhor equação entre aderência e economia de combustível, uma exigência das etiquetas do Inmetro que muitos pneus importados de baixo custo não conseguem atingir com a mesma eficiência.

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