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VW Golf GTI é a compra mais irracional e emocional possível – e está tudo bem

Mesmo à venda a partir de R$ 430.000, o Golf GTI está esgotado no Brasil; nele, o emocional, a dinâmica e a grife GTI falam alto

Por Guilherme Fontana, de Innsbruck (Áustria)
16 set 2025, 17h02 •
Volkswagen Golf GTI
Volkswagen Golf GTI (Divulgação/Volkswagen)
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  • O Volkswagen Golf GTI voltou ao Brasil após seis anos causando seguidas polêmicas. Primeiro, pelas regras impostas para que seja possível levar um para casa. Segundo, pelo alto preço. Ele parte de R$ 430.000, próximo aos de Honda Civic Type R (R$ 429.900) e Toyota GR Corolla (R$ 416.990/R$ 461.990) que, em tese, ficam acima do GTI e brigam com o Golf R.

    Mas nada disso, e nem as reclamações nas redes sociais, parecem ter afetado quem realmente pode e quer ter um. Todas as 350 unidades foram vendidas em dois dias, e mais de 400 clientes seguem na fila. Mas muita gente ficará sem, já que o segundo lote terá só mais 150 unidades. Assim, QUATRO RODAS foi até a Europa para andar no modelo em primeira mão, e buscar entender seu sucesso.

    Para começar a justificativa do alto preço, o hatch chega em uma configuração robusta de visual e equipamentos, mas não livre de erros. Os faróis são full led e interligados por uma faixa iluminada na grade e, pela primeira vez em um modelo da marca no Brasil, pelo logotipo da Volkswagen iluminado.

    Volkswagen Golf GTI
    Volkswagen Golf GTI (Divulgação/Volkswagen)

    Logo abaixo, os faróis de neblina são representados por cinco blocos de led em cada lado do para-choque. Neste ângulo, o erro foi de não oferecer faróis matriciais IQ. Light, mais avançados. As laterais destacam as rodas de 18” com acabamento sempre diamantado e pneus 225/40. A traseira é marcada pela dupla saída de escape e pelas lanternas full led horizontais, mas também sem tecnologia IQ.Light.

    Volkswagen Golf GTI
    Volkswagen Golf GTI (Divulgação/Volkswagen)
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    O interior do Golf GTI é igualmente sóbrio e clássico, a começar pelo desenho do painel. São linhas predominantemente horizontais e contínuas, com domínio da cor preta e detalhes em vermelho. O acabamento é o esperado para um modelo de segmento médio, com materiais macios no topo do painel e nas portas, e ótimos arremates e encaixes entre as peças. Para melhorar o ambiente, há iluminação indireta com 30 opções de cores.

    Na parte superior, estão o quadro de instrumentos digital de 10,2 polegadas, com grafismos exclusivos, e a central multimídia de 12,9 polegadas, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, e formato que remete aos carros elétricos da Volks.

    VW Golf GTI
    (Divulgação/Volkswagen)

    Para a felicidade dos puristas, os bancos padrões do GTI “brasileiro” são de tecido com a clássica estampa xadrez. Eles têm ainda aquecimento e suporte para lombar. Como opcional por mais R$ 15.000, a marca oferece bancos de material sintético em tonalidade clara, acompanhados por ventilação nos dois dianteiros e ajustes elétricos com memórias apenas para o motorista, mas sem xadrez.

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    Segundo a marca, todos os GTI serão trazidos por encomenda e não haverá estoque. Ou seja, caso você prefira os bancos xadrez, não correrá o risco de só encontrar unidades com os bancos opcionais – que, convenhamos, tiram o brilho da personalidade clássica do GTI.

    VW Golf GTI
    VW Golf GTI (Divulgação/Volkswagen)

    Ainda entre os itens de série, ele tem ar-condicionado de três zonas, carregador de celulares por indução, freio de estacionamento eletrônico, sistema de som Harman Kardon de 9 alto-falantes e 480 Watts, chave presencial, volante com aquecimento, teto solar panorâmico com abertura elétrica e câmera de ré – um sistema de visão 360° deveria estar na lista.

    Há também piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, seis airbags, assistente de permanência em faixa, faróis altos automáticos e alertas de pontos cegos.

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    Volkswagen Golf GTI
    Volkswagen Golf GTI (Divulgação/Volkswagen)

    Embora seja um hatch médio, portanto, maior do que um compacto, não espere por grandes diferenças no espaço interno. Nos bancos traseiros, pessoas de aproximadamente 1,75 m viajarão com espaço apenas suficiente para pernas e cabeça. Além disso, é aconselhável que apenas duas pessoas ocupem este espaço, já que o túnel central é consideravelmente alto. Há saídas de ar-condicionado com ajuste de temperatura exclusivo. Também é suficiente o espaço para as bagagens: o porta-malas tem 344 litros.

    Volkswagen Golf GTI
    Volkswagen Golf GTI (Divulgação/Volkswagen)

    Um típico alemão

    Fomos até a Europa para este primeiro contato com o esportivo nas ruas. O trajeto partiu do aeroporto de Munique, na Alemanha, até Innsbruck, na Áustria, passando por locais cenográficos. A volta incluiu ainda uma parada em Mittenwald e, depois, em Füssen, novamente territórios alemães, para uma visita ao castelo de Neuschwanstein. Esse foi o trajeto onde o GTI teve mais chances de brilhar – e brilhou.

    Volkswagen Golf GTI
    Volkswagen Golf GTI (Divulgação/Volkswagen)
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    Ele segue com a mesma e impecável dirigibilidade, com a direção direta (de curso reduzido) e afiada de um alemão. A suspensão é firme e parece manter o hatch sobre um trilho, demonstrando uma estabilidade excepcional nas curvas fechadas das estradas europeias. Apesar disso, não há prejuízos de conforto, outra característica de todo Golf. Isso deve se repetir no Brasil, mesmo com nosso asfalto de qualidade consideravelmente inferior.

    Outro ponto alto é a posição de dirigir do GTI, mais baixa, de pegada esportiva e com boa ergonomia. Os bancos com abas laterais pronunciadas também ajudam a tornar a condução mais segura e prazerosa, já que as abas seguram muito bem o corpo nas curvas.

    VW Golf GTI
    (Divulgação/Volkswagen)

    Quanto à mecânica, o Golf GTI é equipado com motor 2.0 turbo a gasolina, de quatro cilindros e injeção direta de combustível, com 245 cv de potência e 37,7 kgfm de torque. O câmbio é sempre um DSG (dupla embreagem) de sete marchas e, a tração, é dianteira. De acordo com a Volkswagen, o hatch vai de 0 a 100 km/h em 6,1 segundos utilizando o sistema de Launch Control.

    Junto ao sistema de largada há outras funções, como cronômetro, contador de volta, e mostradores de desempenho, pressão de turbina, força G, potência e torque. Ou seja, além de prazeroso para as ruas, o GTI também está preparado para ser levado às pistas – isso se algum proprietário brasileiro quiser arriscar sua suada conquista de ter um GTI por aqui.

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    Golf GTI 2026
    (Divulgação/Volkswagen)

    As acelerações empolgam, com fortes empurrões e trocas rápidas de marcha – e vão contra a falta de pressa da marca no lançamento, dita no início deste texto.

    Nos dias pela Europa, foi possível passar (algumas vezes, e não por acaso) pelas clássicas estradas alemãs com trechos sem limites de velocidade. Chega a ser difícil andar a menos de 200 km/h em um carro que clama por acelerar. Além disso, há ainda o bonito e grave ronco saído do escape.

    A forma de entrega do desempenho, porém, pode variar de acordo com um dos quatro modos de condução disponíveis: há o Normal, Esporte, Eco e Individual.

    Golf GTI 2026
    (Divulgação/Volkswagen)

    Grife GTI fala alto

    O retorno do Golf GTI ao Brasil é tratado há meses quase como uma conquista pelo público brasileiro, mas as unidades limitadas, as regras de compra e venda, e o altíssimo preço cobrado por ele causaram polêmica – mas deram a ele um status de exclusividade. Afinal, precisa-se entender sua importância e alta qualidade. Mas também precisa-se identificar a “falta de modéstia”, já que seu posicionamento por aqui aproxima-se do que deveria ser para o Golf R – de 333 cv e tração 4×4. Ou, ao menos, o GTI Clubsport.

    VW Golf GTI
    (Divulgação/Volkswagen)

    Por seus R$ 430.000 pedidos, ele disputa espaço com Honda Civic Type R e Toyota GR Corolla, superiores em mecânica e desempenho. Ao mesmo tempo, um contato pessoal com ele permite algum entendimento: a sigla GTI não é apenas uma grife, mas um nome que, de fato, representa o que deve ser um esportivo. Ele também acaba por se mostrar mais versátil do que seus rivais.

    Tem desempenho para não se colocar defeito, mas também pode ser usado no dia-a-dia com conforto. Independente de tantos “achismos” ou reclamações, o fato é que o novo Golf GTI já é um sucesso no Brasil.

    Ficha técnica – Golf GTI

    Motor: gasolina, diant., transv., 4 cil. , 16V, 1.984 cm3; 245 cv entre 5.000 e 6.500 rpm, 37,7 kgfm entre 1.600 e 4.300 rpm
    Câmbio: aut., dupla embreagem, 7 marchas, tração dianteira
    Direção: elétrica
    Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)
    Freios: discos ventilados nas quatro rodas
    Pneus: 225/40 R18
    Dimensões: compr., 428,9 cm; larg., 178,9 cm; alt., 144,6 cm; entre-eixos, 263,1 cm; porta-malas, 344 litros; tanque de combustível, 50 litros; peso, 1.450 kg

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