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Onix Plus antes e após o recall do incêndio: desempenho e consumo pioraram

Testamos dois Onix Plus em nosso campo de provas: o modelo pré-recall é mais eficiente, com consumo e desempenho melhores do que os do pós-recall

Por Péricles Malheiros
5 dez 2019, 07h00 • Atualizado em 22 jan 2020, 14h12
  • Carros idênticos, softwares e resultados diferentes
    Carros idênticos, softwares e resultados diferentes. Este, é o de Longa Duração (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Desde que a Chevrolet anunciou que o recall do Chevrolet Onix Plus após os casos de incêndio incluiria uma atualização da central de gerenciamento eletrônico, QUATRO RODAS estava na expectativa de comparar os resultados de modelos pré e pós-recall, testados em nosso campo de provas, em Limeira (SP). Foi exatamente o que fizemos agora.

    Cedido pela Chevrolet logo após o lançamento, o Onix Plus 2020 teve seu teste publicado na edição de novembro de 2019, no comparativos de sedãs compactos.

    Pouco tempo depois do empréstimo, os casos de incêndio ganharam a mídia, todas as unidades foram recolhidas e as vendas suspensas. Preventivamente também foram canceladas as entregas das unidades já comercializadas.

    Onix Plus RGB
    Carro da fábrica foi testado em novembro, antes dos incêndios (Fernando Pires e Fabio Gonzalez/Quatro Rodas)

    Foi exatamente essa a condição vivida por QUATRO RODAS, já que, antes mesmo dos casos de incêndio, adquirimos para a seção Longa Duração uma unidade na versão Premier – coincidentemente, idêntica à avaliada no comparativo de novembro.

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    Obviamente, a entrega do nosso carro só aconteceu após um curto adiamento na entrega, justamente para aplicação do recall. Estava construída a condição ideal para o nosso teste comparativo de Onix Plus.

    Por padrão, cada carro incorporado à frota de Longa Duração precisa rodar 1.000 km para só então ganhar o direito de ser submetido a uma bateria completa de testes em nosso campo de provas.

    Carro da fábrica Carro de Longa Duração
    0 a 100 km/h (s) 10,2 10,5
    0 a 1.000 m (s) 31,7 32,1
    D 40 a 80 km/h (s) 4,6 4,6
    D 60 a 100 km/h (s) 5,4 5,7
    D 80 a 120 km/h (s) 6,7 7,4
    Cons. urbano (km/l) 12,8 11,8
    Cons. rodoviário (km/l) 16,4 15,7

    Surgiu aí outra feliz coincidência: o carro da Chevrolet foi testado com apenas 309 km a mais do que o nosso.

    Nas provas dinâmicas, nosso Onix Plus foi ligeiramente pior. Na aceleração de 0 a 100 km/h, registrou 10,5 segundos, ante 10,2 segundos do carro da fábrica.

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    Para percorrer os 1.000 metros, partindo da imobilidade, nosso Onix também demorou um pouco mais: 32,1 s, passando a 164,5 km/h, contra, respectivamente, 31,7 s e 167,9 km/h.

    Nas retomadas (40 a 80/60 a 100/80 a 120 km/h), nosso carro também se mostrou um pouco mais lento, registrando 4,6/5,7/7,4 s. O Onix Plus da fábrica cravou 4,6/5,4/6,7 s.

    Nossa experiência ao comparar testes de carros de Longa Duração com os das fábricas mostra que, mesmo quando as diferenças de resultados são pequenas, há uma regularidade: o que vai melhor nas provas dinâmicas acaba pior nas de consumo – e vice-versa.

     

    Mas nesse comparativo de pré e pós-recall foi diferente: apesar de contida, a inferioridade do nosso carro (pós-recall) em relação ao da fábrica (pré-recall) foi além das provas dinâmicas.

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    Nas avaliações de consumo (urbano/rodoviário), o Onix de Longa Duração apontou 11,8/15,7 km/l, enquanto o carro da fábrica registrou 12,8/16,6 km/l.

    Uma fonte ligada à Chevrolet no Brasil diz que a piora pode não ter nada a ver com o recall. “As alterações foram aplicadas em faixas muito específicas do software, para funcionamento em condições climáticas e de operação também muito peculiares”.

    Consultada sobre a possibilidade da recalibração da central ser a responsável pela piora dos números detectada em nossos testes, a marca respondeu:

    “A General Motors informa que resultados de testes de performance podem sofrer variações devido a diversos fatores, entre eles:

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    1. Fatores climáticos, como temperatura ambiente e umidade relativa do ar;
    2. fatores inerentes ao teste, como precisão e calibração do equipamento medidor, comportamento do proprio avaliador durante a execução, velocidade e direção do vento;
    3. fatores inerentes ao próprio veículo, como composição do lote do combustível, pressão dos pneus, nível momentâneo da carga da bateria, condição momentânea de temperatura do motor;

    A General Motors reitera também que a nova calibração do software do motor não altera os parâmetros de performance e consumo de combustível homologados originalmente.”

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