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Já testamos: Caoa Changan Uni-T tem rodar de carro premium por R$ 169.990

O Uni-T estreia já montado no Brasil, com motor flex e suspensão adaptada, e custa menos de R$ 170.000

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 mar 2026, 14h19 • Atualizado em 26 mar 2026, 21h13
Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
O Uni-T parece andar grudado no chão, mas é efeito da largura: o vão livre é de 18 cm (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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  • D e certa forma, é um alívio ter o Caoa Changan Uni-T nestas páginas sem nenhum disfarce. Fazia alguns meses que recebíamos diversos flagrantes desse carro ainda com camuflagem por e-mail, WhatsApp e Instagram várias vezes por semana. Até o marido de nossa revisora, Rosi Melo, encontrou o carro rodando nos arredores de São Paulo.

    Havia um bom motivo para toda essa exposição do carro nas ruas: o Uni-T já estreia com produção nacional e com uma série de alterações técnicas estéticas a fim de agradar, de cara, ao brasileiro, como o motor flex. Agora sabemos que mais de 100 protótipos foram usados em testes só no Brasil e a maioria das unidades flagradas por nossos leitores eram modelos montados por aqui.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    O grande aerofólio é vazado, mas o brake light fica por dentro do vidro traseiro (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Essa estratégia tem a ver com o fato de a chinesa Changan se associar à brasileira Caoa, para operar em nosso mercado. Mas a própria Changan não é uma estreante por aqui. A marca esteve no Brasil entre 2007 e 2012 por meio de importador (Districar), mas até 2011 seus furgões e picapes (carros de passeio ficaram só na promessa) foram vendidos com a marca Chana.

    Esta é a segunda investida, agora com a Caoa, que encerrou o contrato com a Hyundai em 2025 e destinou parte da fábrica de Anápolis (GO) para o Changan Uni-T, enquanto outra ala segue com a montagem dos Chery.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Rodas aro 20 são com pneus Pirelli P-Zero, típicos de esportivos (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    A empresa brasileira também está responsável por vendas e pós-venda, mas Changan e Caoa dividem decisões comerciais e atividades de engenharia. Uma exigência da Caoa para estabelecer esta parceria foi ter seu nome agregado à marca chinesa, como faz com a Chery.

    A escolha do carro para essa estreia ajuda a construir o posicionamento da Changan acima da Chery, que seguirá com seus SUVs tradicionais. O Caoa Changan Uni-T é um SUV cupê médio com dimensões equivalentes às de um Audi Q3 Sportback de nova geração: são 4,53 m de comprimento, 2,71 m de entre-eixos, 1,87 m de largura e 1,56 m de altura. É maior que SUVs médios como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, VW Taos e Renault Boreal.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    A dependência das telas entrega a origem chinesa de forma bem evidente (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    O Caoa Changan Uni-T Infinity custa R$ 169.990. É a única versão disponível, mas existe a intenção de trazer outras mais acessíveis. O motor é um 1.5 turbo com injeção direta flex com 180 cv de potência e bons 29,2 kgfm de torque, sempre com câmbio de dupla embreagem úmidas e sete marchas.

    Indo direto aos itens mais distintos do Uni-T para esta faixa de preço – que é a mesma SUVs médios tradicionais de entrada, como o próprio Caoa Chery Tiggo 7 Pro (R$ 176.990) –, há teto solar panorâmico, bancos dianteiros ventilados, aquecidos e com ajustes elétricos, câmera de monitoramento de atenção e cansaço do motorista, ar-condicionado automático bizona com dispersão de fragrâncias (há três opções), sistema de som com 11 alto–falantes, sendo dois no encosto de cabeça do motorista e um subwoofer, e porta-malas com abertura elétrica.

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    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026

    Ainda existem as assistências ao motorista (ADAS), como piloto automático adaptativo, frenagem de emergência (até mesmo em ré), monitor de pontos cegos, alerta de abertura de porta e centralização em faixa.

    O que nenhum concorrente tem no Brasil é a possibilidade controlar o carro remotamente para entrar ou sair de uma vaga apertada, por meio da chave. Nesta função, o carro só anda reto: se o volante estiver virado, o carro alinha antes de se mover. A responsabilidade é do motorista, pois o veículo não segue os radares. É uma ajuda para quando não há espaço para abrir as portas, depois de estacionar.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Seletor do câmbio tem funcionamento incômodo (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Há botão para os modos de condução (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    O design é impactante. O SUV é largo e relativamente baixo, calçado com rodas aro 20”, com proporções de carros de luxo. A parte central do capô é mais baixa, formando um “V” junto com a grade (que faz parte do para–choque) e as luzes diurnas de led. Os faróis, full-led, ficam nas fendas laterais, que também direcionam o ar para as caixas de rodas.

    Os cupês originais têm duas portas, mas faz 20 anos que os designers experimentam o mesmo caimento do teto em outras carrocerias. O Uni-T mimetiza os cupês com as maçanetas traseiras escondidas nas colunas C, as janelas traseiras pequenas e os para-lamas encorpados. A traseira respeita o estilo, com vidro estreito e tampa volumosa.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Posição de dirigir é boa e bancos confortáveis (Fernando Pires/Quatro Rodas)
    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Assentos traseiros são grandes, porém baixos (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    Se a carroceria ousa, a cabine não foge ao estilo típico chinês. A central multimídia de 12,8” levemente voltada ao motorista é diferente, mas apenas o seletor de modos de condução (Eco, Normal e Sport), comando do freio de estacionamento eletrônico (com auto-hold) e a partida do motor têm botões. A tela controla o ar-condicionado, a temperatura dos bancos e até os retrovisores. Para comprovar a tropicalização, o Uni-T já vem com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

    O quadro de instrumentos digital de 12,3” tem a mesma qualidade, mas é subaproveitado: muda apenas as cores em função dos modos de condução, mas não os mostradores, com exceção para a barra do conta-giros, no canto esquerdo, que vira um econômetro, no modo Eco.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Porta-malas tem 425 litros e dois níveis (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Brasileiros não usam muito os comandos de voz, mas o “Olá, Changan” desperta uma luz azul no topo do painel, como uma Alexa, que dá um pouco de vida ao assistente. Ali também se ilumina em verde com a seta, repetindo o lado do comando. Mais que isso: o barulho da seta só sai nos alto-falantes do encosto de cabeça, indicando o lado do comando.

    Painel e todas as portas têm as partes superiores macias, seja por apliques emborrachados ou de vinil. É um vinil com toque e textura de pelica, que também reveste os bancos e ganha costuras azuis no Brasil. Os bancos dianteiros são muito bons em conforto e sustentação do corpo, mas os traseiros são como sofás, que afundam, deixando-os ainda mais baixos.

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    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Luz no painel repete a de seta e dá vida ao assistente de voz (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Conforto é bom, mas elementos como luz de neblina central traseira, aerofólio, as quatro saídas de escape, detalhes metalizados nos para-choques , rodas aro 20” com pneus Pirelli P-Zero 245/45 e o jeito de cupê vendem esportividade. E, de fato, este Changan não é um esportivo.
    Em nossa pista, o motor de 180 cv fez o Caoa Changan Uni-T chegar aos 100 km/h em 8,3 s, ou 0,9 s mais tarde que o divulgado pela fábrica. Está longe de ser lento.

    O mais importante é que o câmbio tem funcionamento suave nas arrancadas, diferente da maioria dos sistemas de dupla embreagem, mantendo as trocas rápidas quando o carro começa a embalar. E fica ainda melhor no modo Sport, com trocas tão mais tarde que a sétima marcha só dá as caras após os 180 km/h – a máxima é de 220 km/h.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Os grandes erros estão em não ter trocas sequenciais e no fato de, na inversão de marcha, sempre passar pelo neutro, obrigando a fazer dois movimentos no joystick. Para piorar o “parking”, parece a trava de movimentação presente em outros carros.

    Outro pecado é o consumo: fez 9 km/l em regime urbano e 11,2 km/l no rodoviário, com gasolina. Há híbridos pelo mesmo preço, afinal.

    Caoa Changan Uni-T Infinity BR 2026
    Motor 1.5 T gera 180 cv e 29,2 kgfm (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    O rodar do Uni-T é muito agradável, em virtude do acerto da suspensão (independente nas quatro rodas), da altura e das bitolas. O carro flerta com o conforto, mas é ágil nas curvas. Também tem pouca vibração e ruído do motor na medida certa na cabine.

    Ainda há ajustes a serem feitos, mas este é um excelente começo para uma marca chinesa. Se a Changan e a Caoa mantiverem o cuidado de adaptar seus produtos ao Brasil, como fizeram com o Uni-T, têm a oportunidade de se sobressair frente às outras chinesas que, no final do dia, estão no Brasil com as mesmas ambições.

    VEREDICTO – O Caoa Changan Uni-T se mostra um carro bom de dirigir, com design distinto, conteúdo de carro premium e pelo menos no lançamento, tem preço atraente.
    ★☆

    CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
    O padrão de acabamento é realmente superior ao dos carros da mesma faixa de preço. Nota-se o cuidado no porta-malas, com dois níveis aveludados e uma grossa manta sob o estepe temporário.
    ★★

    TECNOLOGIA
    Telas grandes, câmeras de visão 360° e sensores dianteiros e traseiros são bem-vindos. Mas o destaque é o 4 G ilimitado por dois anos e o “controle remoto” para estacionamento.
    ★★

    VIDA A BORDO
    Os bancos são todos confortáveis e a largura da cabine ajuda nisso. Mas o grande assento traseiro precisava estar posicionado mais alto.

    RENDIMENTO
    O desempenho é bom para um carro 1.5 turbo e o torque agrada. O câmbio de dupla embreagem é surpreendentemente suave, mas a falta de trocas sequenciais. O consumo do motor precisa melhorar.
    ★☆

    COMPORTAMENTO DINÂMICO
    O nível de vibração e ruído do Uni-T é um bom indicativo da sua aspiração premium. O acerto do carro prioriza o conforto e faz parecer flutuar um pouco em alta velocidade, mas as bitolas largas e a direção rápida deixam o carro ágil e estável em curvas.
    ★☆

    SEGURANÇA
    SUV tem seis airbags e pacote ADAS completo. Os sistemas que puderam ser usados neste primeiro contato responderam a contento.
    ★☆

    SEU BOLSO
    R$ 169.990 é preço de SUVs médios de entrada, mas o Uni-T tem porte e conteúdo superior às versões topo.
    ★★

    Ficha Técnica – Caoa Changan Uni-T

    Motor: gasolina, dianteiro, transv., 4 cilindros, turbo, 16 válvulas, 1494 cm³, 180 cv (etanol/gasolina) a 4200–5500 rpm, 29,2 kgfm a 1500–4000 rpm
    Câmbio: dupla embreagem, 7 marchas, tração dianteira
    Suspensão: McPherson (dianteiro), multibraços (traseiro)
    Freios: disco ventilado (dianteiro), disco sólido (traseiro)
    Direção: elétrica, 11,5 m de diâmetro de giro
    Rodas e pneus: 245/45 R20, Pirelli P-Zero
    Dimensões: comprimento 4,54 m, largura 1,87 m, altura 1,57 m, entre-eixos 2,71 m, peso 1480 kg, vão livre 18 cm, porta-malas 425 litros; tanque 55 litros

    Teste de Desempenho – Caoa Changan Uni-T

    Aceleração

    • 0 a 100 km/h: 8,3 s
    • 0 a 1.000 m: 29,70 s / 175,7 km/h
    • Velocidade máxima: 220 km/h

    Retomadas

    • 40 a 80 km/h: 3,4 s
    • 60 a 100 km/h: 4,4 s
    • 80 a 120 km/h: 5,5 s

    Frenagens

    • 60 km/h a 0: 14,4 m
    • 80 km/h a 0: 25,2 m
    • 120 km/h a 0: 56 m

    Consumo

    • Urbano: 9 km/l
    • Rodoviário: 11,2 km/l

    Ruído interno

    • Neutro / RPM máx.: 43 / 60,8 dBA
    • 80 km/h: 65,2 dBA
    • 120 km/h: 69,9 dBA

    Velocidade real a 100 km/h: 97 km/h
    Rotação do motor a 100 km/h: 1900 rpm
    Volante: 2,5 voltas

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