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Xi… fiz besteira!

Por Redação 2 nov 2015, 09h26
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  • Na virada do século, engenheiros da Volvo tiveram uma ideia surpreendente. Um dia, sentado na sauna, nu como veio ao mundo, Thor virou-se para Sven e disse: “Sven, depois de você ter me açoitado com alguns galhos e eu ter pulado em um lago com água quase congelando, por que não desenhamos um grande carro familiar, em que realmente caiba uma família grande?”

    A Land Rover tentou isso, com o Discovery de sete lugares. Mas, é claro, naquela época a Land Rover era comandada por pessoas que só estavam interessadas em como um carro se comportava em uma ladeira enlameada do País de Gales. Eles não entendiam o conceito de crianças. Muitos deles, suspeito, nem sabiam ao certo de onde elas vinham.

    Como resultado, o Discovery tinha bancos no porta-malas, que só podiam ser acessados por alguém formado em engenharia. E eles não podiam ser dobrados para baixo, a não ser que você fosse algum deus indiano com seis braços. Para piorar, não havia espaço no porta-malas nem para um cachorro magro.

    Sven e Thor tiveram uma ideia melhor. O carro deles não seria especialmente bom em uma ladeira enlameada do País de Gales e não cantaria pneu quando ele arrancasse no sinal verde. Tempo de volta em Nürburgring? Eles não tinham o menor interesse. No entanto, ele teria o esplendor elevado de um 4×4 grande, bem como botões que poderiam ser operados por alguém vestindo luvas. Os assentos poderiam ser deslocados e dobrados com facilidade, mesmo por uma mãe sobrecarregada com seis sacolas de supermercado e uma criança tentando fugir o tempo todo.

    Eles chamaram o novo carro de XC90 e, em 2002, mostraram-no ao público em um salão do automóvel dos EUA. Ninguém deu muita atenção. E por que alguém daria, já que o resto do evento estava cheio de carros que podiam rosnar e gerar tanta força g nas curvas que daria para arrancar o seu rosto? Em um salão, ninguém está interessado em mães sobrecarregadas ou assentos que podem ser dobrados com uma mão.

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    Porém, apesar do muro de silêncio com o qual o carro foi recebido, Sven e Thor foram adiante e lançaram o veículo no mercado. Obviamente, eles não estavam esperando muito em termos de vendas. Porque se prepararam para fabricar só uns 42 no primeiro ano. Mas o mundo se apaixonou pelo XC90. Logo ele se tornou o modelo mais vendido da Volvo e, como a demanda foi muito maior do que a oferta, seu ágio foi às alturas. Ele então passou a ganhar um prêmio atrás do outro, quando as pessoas começaram a perceber que os suecos praticamente reinventaram a roda. Um 4×4 para pessoas que não têm o nome de Ra­nulph ou sir Stirling.

    Eu vi um XC90 pela primeira vez no autódromo de Donington Park. Não consigo lembrar por que ele – ou eu – estava lá, mas, como pai de três filhos pequenos, percebi imediatamente que precisava ter um. E, alguns anos mais tarde, comprei um segundo. E então um terceiro. E, alguns meses atrás, um quarto.

    Isso pode soar estranho: por que alguém compraria um dos últimos exemplares do modelo anterior sabendo que um novo seria lançado  logo? Simples. Quando o XC90 foi criado, a dona da Volvo era a Ford. Uma das grandes fabricantes, com orçamento idem. Mas hoje a dona é uma empresa chinesa chamada Gee­ly e, pelo que apurei, seus recursos são relativamente limitados. Em outras palavras, achei que o carro novo poderia ter sido projetado com certas restrições orçamentárias.

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    Quando, recentemente, trouxe o XC90 de segunda geração para minha casa, achei ter tomado a decisão certa. Seu visual já não é tão bonito. As laterais profundamente esculpidas agora são mais brutas e, caramba, como ele é grande. Realmente grande. Mas o tamanho avantajado compensa no lado de dentro, onde agora você tem um porta-malas e assentos para sete adultos. Não cinco adultos e um monte de reclamações de adolescentes colocados na terceira fila de bancos. Além disso, a cabine é um lugar muito agradável de se estar. Os mostradores, as texturas, o subwoofer refrigerado a ar e o design de tudo são maravilhosos. E ele também é muito simples. Só há oito botões no painel porque tudo é controlado por algo que não é um iPad, mas se parece muito com um.

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    Há alguns pontos negativos, porém. Você já viu o iPad de uma criança depois de ela ter comido doces? Bom, foi assim que a tela ficou depois de eu ficar mexendo nela por uns 5 minutos. Mas isso é fichinha quando se compara ao recurso que me deixou maluco antes mesmo de tirar o carro totalmente da garagem.

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    O problema é que, em 2012, Sven e Thor tiveram outra ideia. Eles decidiram que, até 2020, ninguém se machucaria ou morreria num Volvo novo. Isso é um absurdo: e se você se jogasse com o carro em um precipício? Nenhum recurso de segurança o salvaria nessa situação. Porém, tendo estabelecido a meta, eles agora estão dando duro para cumpri-la. Como resultado, o XC90 é repleto de sistemas que ficam histéricos se acharem que você vai bater até mesmo em um tufo de grama.

    Manobrá-lo num lugar apertado é como estar em uma rave. Você tem luzes piscando, sirenes e apitos, e não adianta tentar usar aquela coisa parecida com o iPad para desligar tudo, porque ele está todo manchado com impressões digitais e fica impossível de ler. Na rodovia, o XC90 fazia o máximo que podia para impedir que eu mudasse de faixa – inclusive assumindo o controle da direção –, e acionava os freios sempre que achava que eu estava próximo demais do carro da frente. Então comecei a pensar: “Espera aí – simplesmente aceite. Vamos fazer isso e você reduzirá as chances de ter um acidente”.

    Quando você começa a pensar assim, o XC90 passa a fazer sentido. Ele se torna bem relaxante. Relaxante demais, na verdade. Porque o motor de 2 litros ficou muito mais silencioso e a suspensão também é muito boa – na maior parte do tempo. É tão relaxante que você pode cochilar. E sem que isso seja um problema, porque o carro vai acordá-lo se qualquer coisa começar a sair dos conformes. No decorrer de uma semana, andei com o XC90 na minha fazenda, em Londres, quando o metrô estava em greve, e em várias rodovias, e após sete dias eu estava praticamente em coma.

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    Então, sim, eu cometi um erro em comprar o modelo antigo. Este novo carro é muito bom. Na verdade, tão bom que seria ideal para aqueles que acham os modelos atuais da Land Rover meio bobos.


    JEREMY CLARKSON – É jornalista, ex-apresentador do programa Top Gear e celebridade amada pelos fãs e odiada por algumas marcas.

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