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Toyota improvisa fábrica e importa peças para garantir motores de Corolla e Yaris Cross

Após microexplosão destruir fábrica Porto Feliz (SP), marca monta linha de montagem temporária em galpão alugado para sustentar produção até 2028

Por Nicolas Tavares
4 fev 2026, 13h00 •
Toyota - Fábrica de motores em Porto Feliz (SP)
 (Divulgação/Toyota)
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  • A Toyota do Brasil iniciou uma complexa operação logística e industrial para contornar os efeitos da destruição de sua fábrica de motores em Porto Feliz (SP), atingida por uma microexplosão atmosférica há quatro meses. Para evitar a paralisação das linhas de montagem dos veículos nacionais, a fabricante recorreu à importação de componentes de três continentes e improvisou uma linha de produção de propulsores flex em um galpão alugado na mesma região, como revelam os sites AutoData e AutoIndústria.

    A estratégia visa normalizar o abastecimento da rede de concessionárias e garantir o cronograma de produção dos atuais Corolla e Corolla Cross, além de assegurar os motores do recém-lançado SUV compacto Yaris Cross. A medida foi necessária após a unidade original ser considerada inoperante — apenas o piso da fábrica poderá ser reaproveitado.

    Fábrica da Toyota em Porto Feliz (SP) fica destruída após chuvas
    Fábrica da Toyota em Porto Feliz (SP) fica destruída após chuvas (Redes sociais/Reprodução)

    Operação de guerra logística

    A solução encontrada pela montadora envolve uma cadeia de suprimentos global. Motores movidos exclusivamente a gasolina, utilizados em versões específicas do sedã médio, passaram a ser importados prontos do Japão. Já para os motores flex, essenciais para o mercado brasileiro, a operação é mista.

    Componentes e partes dos motores estão sendo fabricados em unidades da Toyota no Japão, Turquia e Coreia do Sul. Em uma manobra logística incomum, fornecedores brasileiros continuam produzindo peças locais, que são exportadas para serem integradas a subconjuntos no exterior e, posteriormente, reimportadas para a finalização no Brasil.

    Para viabilizar financeiramente essa triangulação, a fabricante negociou com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) um regime temporário de ex-tarifário, permitindo a importação de motores semimontados e desmontados com alíquota reduzida, mesmo havendo similar nacional.

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    Fábrica da Toyota em Porto Feliz (SP) fica destruída após chuvas
    (Redes sociais/Reprodução)

    Linha de montagem provisória

    Enquanto a fábrica original não é reconstruída, a montagem final dos motores flex foi transferida para um galpão logístico em Porto Feliz. O local, que inicialmente serviria apenas para armazenar o maquinário salvo dos escombros, foi convertido em uma linha de produção ativa.

    Essa unidade provisória emprega parte dos 800 colaboradores da planta atingida. Outra parcela do contingente foi realocada para a fábrica de veículos em Sorocaba (SP), enquanto o restante permanece em regime de layoff (suspensão temporária de contrato), sem demissões previstas pela empresa.

    Corolla Cross 2025
    Com a produção reduzida, o Corolla Cross perdeu a chance de fechar 2025 como o SUV médio mais vendido do Brasil (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    Impacto no mercado e novos produtos

    A interrupção abrupta na produção de motores em Porto Feliz teve reflexo imediato nas vendas. Segundo a fabricante, houve uma queda de 20% nos emplacamentos em novembro, logo após o incidente, devido ao desabastecimento das concessionárias. A expectativa é que as fábricas de veículos em Indaiatuba e Sorocaba retomem a capacidade total de operação a partir de agora.

    O impacto foi sentido pela marca, principalmente no caso do Corolla Cross. O SUV médio estava com uma mão na taça para ser o líder de vendas do segmento em 2025, mas a falta de unidades para venda fez com que o Jeep Compass recuperasse a primeira colocação e mantivesse o título de campeão da categoria.

    Toyota Yaris Cross
    (Divulgação/Toyota)

    A normalização é crítica para o próximo grande passo da marca no país: o lançamento do Yaris Cross. O SUV compacto, posicionado abaixo do Corolla Cross para brigar com Hyundai Creta e Volkswagen T-Cross, utilizará a nova motorização híbrida flex. O utilitário começou a ser produzido em Sorocaba (SP) no final de janeiro.

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    O conjunto mecânico do Yaris Cross deve combinar um motor 1.5 aspirado de quatro cilindros (ciclo Atkinson) a um motor elétrico. Estima-se que a potência combinada fique na casa dos 110 cv, com torque estimado para o motor a combustão próximo aos 14,5 kgfm e entrega imediata de força pelo motor elétrico, priorizando a eficiência energética em vez de desempenho esportivo.

    Histórico e futuro

    A fábrica de Porto Feliz foi inaugurada em 2016, fruto de um investimento de R$ 580 milhões na época, sendo a primeira planta de motores da Toyota na região, responsável pela produção dos propulsores 1.5 (Yaris e Etios) e 2.0 (Corolla).

    O plano de reconstrução da unidade prevê um longo prazo. A Toyota estima que a nova fábrica só estará plenamente operacional em 2028. O projeto prevê uma instalação industrial mais compacta, com maior nível de robotização e novos processos de produção, cujos testes finais devem começar no fim de 2027.

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