Os melhores carros de Piquet – pilotados por Nelsinho!
No aniversário de 31 anos, Nelsinho Piquet ganha um presente dos sonhos: testar os BMW que o pai tricampeão pilotou
Não é fácil dar algo especial a alguém que tem quase tudo desde criança. Mas Nelson Piquet Jr. nunca esquecerá o presente que ganhou no seu 31º aniversário: a chance de dirigir os carros mais importantes da carreira do pai, tricampeão mundial de F-1 em 1981, 1983 e 1987.
A ideia partiu dos responsáveis pela BMW Classic e BMW Motorsport, as divisões de antigos e de competição da marca alemã, que também fazia aniversário (completou 100 anos em 2016).
Um dia antes da festa, realizada no fim do ano passado numa estradinha traiçoeira nos Alpes austríacos, Nelsinho mal podia acreditar quando viu os caminhões chegando com a carga tão preciosa.
Um a um, os quatro veículos históricos foram colocados diante dele: BMW M1 Procar (1979), BMW635 CSi (1981), McLaren F1 GTR (1995) e, o mais importante, o Brabham BT52, campeão de Fórmula 1 em 1983.
Na manhã seguinte, porém, às 6h30, a empolgação começou a dar lugar à preocupação. Havia chuva e nevoeiro – e o receio de que o Brabham não pudesse participar da brincadeira. Afinal, trata-se de uma valiosa peça de museu.
A equipe decide começar por ordem cronológica. O primeiro a ir para a rua é o BMW M1 Procar: 6 cilindros em linha, 3,5 litros, 470 cv, máxima de 310 km/h. Desenvolvido junto com a versão de rua, deu origem a uma categoria própria, que era realizada junto com a Fórmula 1, em 1979.
Por essas corridas passaram Niki Lauda, Carlos Reutemann, Alan Jones, Clay Reggazoni e, claro, Nelson Piquet, que, ainda novato na F-1, foi campeão da Procar em 1980.
Nelsinho nem precisou do capacete. Pisava leve, para reconhecer aos poucos o traçado sinuoso, que estava bem molhado. Numa das primeiras curvas fechadas, quase uma ferradura, a traseira deu uma leve escapada, exigindo um rápido contraesterço do piloto num volante que parece grande demais para os dias de hoje.
O próximo a entrar em cena era o 635 CSi: 6 cilindros, 3.5 litros, 285 cv, 260 km/h. Foi com ele que os alemães brigaram pelo Campeonato Europeu de Turismo nos anos 80. Sua cabine não era tão apertada quanto a do M1, o ronco era menos encorpado e a visibilidade era praticamente a de um automóvel de passeio – o que na origem ele é.
Mas o brasileiro não esquece que tem em mãos um carro com motor preparado pela Alpina, carroceria reforçada pela Karmann e freios e transmissão trabalhados pela BMW Motorsport. Todo esse trabalho acabaria dando resultado, com o título da categoria de 1981 e 1983.
Nelsinho diz que está tão ou mais feliz do que quando se sentou no seu primeiro kart, quando ainda mal sabia andar. “É uma mistura de sentimentos: há a beleza dessas máquinas incríveis, mas pesa muito, é claro, o fato de meu pai ter pilotado todas elas”, comenta o filho, empolgado.
Um salto de dez anos na história e o aniversariante passa para o McLaren F1 GTR: motor BMW V12, 6 litros, 604 cv, 320 km/h de máxima. Essa unidade participou das 24 Horas de Le Mans em 1995 e 1996. Terminou em terceiro na classificação geral, embora o segundo carro da equipe Piquet/Lehto/Soper tenha se acidentado na segunda metade da corrida.
Quando entrou na pista, Nelsinho manejava com cuidado a direção: o McLaren era arisco, o nevoeiro voltava a aparecer e chuva apertava. Ele ligou os faróis e fez as curvas fechadas numa velocidade bem baixa. Ainda assim, a traseira dançava em cada cotovelo contornado. Às vezes, era necessário quase parar o carro no meio da curva e voltar a acelerar.
No entanto, no segundo dia, tudo mudou: o sol era convidado de honra da festa. E ali estava o aguardado Brabham BT52 1983. “Meu pai falou muito sobre as semanas passadas na África do Sul, desenvolvendo o BT52. Que tempos devem ter sido aqueles!”, emociona-se ele, antes de colocar o capacete e sair para a estrada alpina, a 2.500 metros de altitude e fechada para o trânsito.
Nelsinho relembra que o Brabham teve que ser terminado nas horas extras feitas pelo projetista Gordon Murray, pois houve uma alteração do regulamento pouco antes do início da temporada. Mas o carro se mostrou competitivo desde o começo, como indicou a vitória de Piquet em casa, no GP do Brasil, logo na abertura.
O brasileiro revelou-se um mestre na gestão da potência do motor de 1.5 litros com 630-790 cv (versões de corrida e de qualificação, respectivamente). O terceiro lugar no último GP (África do Sul) coroou o primeiro motor turbo (e o primeiro e único da BMW) na história da F-1.
Ao sair do carro, o veredicto de Nelsinho Piquet: “Os antigos Fórmula 1 eram muito mais difíceis de pilotar porque tinham muita potência e câmbio manual, o que obrigava meu pai e os outros pilotos da época a não cometerem qualquer falha, por pequena que fosse, em milhares de passagens de marchas por corrida, feitas em situações de tensão nos limites. Hoje em dia tudo é automático e o piloto só precisa se concentrar na sua pilotagem”.
https://www.youtube.com/watch?v=Bz1GGTlnziE