Novo motor V12 da Ferrari pode resgatar tecnologia esquecida pela Honda
Ferrari pega conceito de pistões ovais, lançados pela Honda para suas motos esportivas em 1980, e transforma em patente para um novo motor V12

A Honda teve uma ideia inovadora para as suas motocicletas de corrida na década de 1980. Mas inovação não significa sucesso, logo, o projeto não deu resultados e foi abandonado. Quarenta anos depois, quem se aproveitou desse projeto descartado é a Ferrari, que pode dar fruto a sua nova geração de motores V12.
Estamos falando especificamente dos pistões ovais, utilizados pela Honda na moto NR500, que competiu no Mundial de Motociclismo (atual Moto GP) na categoria de 500 cc nos anos 80. Ela ganhou o apelido de “Never Ready” (“nunca pronta”), justamente pelos diversos problemas técnicos que apresentou.

Nas pistas ela não rendeu, o que fez Honda reaproveitar os pistões ovais em uma moto de rua, a NR750. Essa fez sucesso, tornando-se uma das motos mais icônicas da Honda, chegando até a inspirar modelos de outras marcas.
Seu motor era, basicamente, um V8 simplificado em V4 com duas bielas por pistão (pistões ovais, claro) e cabeças com oito válvulas por cilindro, um projeto que deu dor de cabeça para os engenheiros da Honda na época. A grande sacada dos pistões ovais estava em aumentar o deslocamento do motor sem precisar de um motor maior.

Agora, a Ferrari pegou o conceito original e o adaptou a ideia de pistões ovais às suas necessidades. Enquanto nos V12 tradicionais cilindros opostos partilham um moente do virabrequim, deixando assim as bielas levemente desalinhadas, a nova patente da Ferrari tem os pistões da bancada esquerda ligados às bielas do lado direito.
E o que isso causa na prática? Basicamente, ele deixa os cilindros perfeitamente alinhados entre si, se vistos de cima, o que reduz o tamanho total do motor.
O primeiro benefício de um motor menor é a redução de peso nas massas rotativas, ou seja, no conjunto móvel do motor. O resultado disso é um V12 trabalhando em um regime mais alto de rotações. Mas não é só isso.

O motor menor abre mais espaço para a Ferrari adicionar o que quiser ali. Em tempos de eletrificação, será possível acomodar mais componentes de um sistema híbrido, por exemplo, como um motor elétrico entre o motor e a transmissão.
Outra possibilidade é usar mais válvulas de admissão e escape, para melhorar a eficiência volumétrica (eficiência com a qual o motor pode mover a carga de ar fresco para dentro e para fora dos cilindros) do V12.

Não se sabe realmente se, de fato, a Ferrari vai colocar essa patente em prática. Os desenhos nem estão completos, já que não detalham a parte superior do motor.
Pode ser que a montadora tenha registrado a ideia só para proteger a tecnologia das rivais. Mas mesmo que ele não saia do papel, para os entusiastas, o que vale é saber que marcas como a Ferrari estão fazendo de tudo para manter os grandes motores a combustão vivos por mais tempo.