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Grandes Brasileiros: Volkswagen Apollo GLS

No casamento entre Ford e VW, o Apollo foi o primeiro carro projetado por uma marca e vendido pela outra

Por Fabiano Pereira
10 jan 2017, 19h25 •
  • O Apollo era um Ford Verona com leves mudanças
    O Apollo era um Ford Verona com leves mudanças (Christian Castanho)

    Seu nome era o do deus grego da beleza e também da nave espacial americana que aterrissou na Lua. No entanto, quando o Volkswagen Apollo surgiu em 1990 nas versões GL e GLS, seu voo era bem mais modesto.

    Pela primeira vez no Brasil, um carro de uma marca passava a ser oferecido por outra com modificações apenas pontuais. Era o primeiro fruto claramente perceptível da joint-venture Autolatina, formada por Ford e VW em 1986.

    Até então, o máximo a que se chegou foi o motor 1.8 VW incorporado ao Ford Escort. O Apollo era a versão Volks do recém-lançado Ford Verona e supria a falta do Passat.

    Aerofólio e lanternas fumês o tornavam diferente do irmão
    Aerofólio e lanternas fumês o tornavam diferente do irmão (Christian Castanho)

    Se o Verona dispunha de motores 1.6 e 1.8, o Apollo oferecia apenas o segundo, com o câmbio mais curto do Escort XR3. Os amortecedores do VW eram mais rígidos.

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    “As diferenças não são grandes, mas suficientes para serem notadas ao volante – seja na retomada de velocidade, em que o Apollo é mais vibrante (19,8 segundos no 40 a 100 km/h contra 26,3 do Verona, o que se traduz em ultrapassagens mais rápidas e, consequentemente, seguras), seja no consumo em cidade, com o modelo da VW rodando quase meio quilômetro a menos por litro de gasolina (8,67 km/l contra 9,06)”, dizia QUATRO RODAS em junho de 1990.

    Motor 1.8 carburado produzia 93 cv e 16,1 mkgf
    Motor 1.8 carburado produzia 93 cv e 16,1 mkgf (Christian Castanho)

    A pintura do Apollo era sempre metálica. A grade era um pouco diferente, os vidros traziam moldura cinza, os retrovisores vinham na cor do carro e ainda havia lanternas fumê e aerofólio.

    Painel e volante traziam desenhos próprios, a iluminação dos instrumentos era laranja e o relógio digital integrado. Quase todos os opcionais do Verona eram de série no Apollo GLS, como rodas de alumínio, ajuste lombar dos bancos, vidros elétricos, apoios de cabeça traseiros, aquecimento e rádio. Mas seu preço era 20% maior.

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    O modelo da Volks tinha painel próprio (o Vernoa usava o do Escort)
    O modelo da Volks tinha painel próprio (o Vernoa usava o do Escort) (Christian Castanho)

    Em julho de 1990, a revista comparou o GLS ao Verona GLX e o Chevrolet Monza SL/E, líder do segmento. Mesmo com o 2.0 do Monza, o Apollo andou mais. As críticas iam para a posição do volante, sem regulagem de altura, os vidros elétricos que só funcionavam com a chave ligada e a manutenção cara.

    Com para-choques pretos (no GLS, pintados) e calotas, o GL não tinha ar-condicionado nem como opcional e faltava-lhe conta-giros e relógio digital. Os vidros eram verdes, o para-brisa, degradê e os faróis, halógenos no pacote mais completo, que custava quase tanto quanto um Santana CL 2000. Em novembro, o GL recebe direção hidráulica e, em 1993, o Apollo cede espaço ao Logus, após 53.130 carros fabricados.

    Interior era praticamente igual ao do Verona, mas a maioria dos itens opcionais do Ford eram de série no Apollo
    Interior era praticamente igual ao do Verona, mas a maioria dos itens opcionais do Ford eram de série no Apollo (Christian Castanho)
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    Com apenas duas portas, acesso ao banco traseiro é complicado
    Com apenas duas portas, acesso ao banco traseiro era tipicamente complicado (Christian Castanho)

    O assistente comercial paulistano Luis Antonio Zanatta é o proprietário do GLS 1992 fotografado, adquirido de um senhor que o manteve parado por mais de cinco anos. “Garimpei em sebos revistas de época para ele ficar como vinha de fábrica”, diz.

    Mais tarde, viriam os gêmeos Santana/Versailles e Logus/Verona (segunda geração), com suas leves diferenças, que seguiriam a mesma rota aberta quando a alma Ford aterrissou na VW como Apollo.

     

    Teste QUATRO RODAS – junho de 1990

    • Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,71 s
    • Velocidade máxima: 163,9 km/h
    • Frenagem 80 km/h a 0: 30,7 m
    • Consumo: 8,67 km/l (cidade), 14,85 km/l (a 100 km/h, vazio)
    • Preço (junho de 1990): NCr$ 1.300.000
    • Preço (atualizado IGPM/FGV): R$ 130.963
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    Ficha técnica – Apollo GLS 1990 (gas.)

    • Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1 781 cm³, carburador de corpo duplo, a gasolina
    • Diâmetro x curso: 81,0 x 86,4 mm
    • Taxa de compressão: 8,5:1
    • Potência: 93 cv a 5 600 rpm
    • Torque: 16,1 mkgf a 2 800 rpm
    • Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
    • Carroceria: sedã de 2 portas
    • Dimensões: comprimento, 421 cm; largura, 164 cm; altura, 133 cm; entre-eixos, 240 cm; peso, 980 kg
    • Suspensão: independente, McPherson nas 4 rodas
    • Freios: disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira com servo
    • Rodas e pneus: liga leve, 5,5×13, pneus 175/70 SR13
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