Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Oferta Relâmpago: Digital por apenas 5,99

A bizarra história do Emme Lotus 422T, o sedã mais mentiroso do Brasil

Usando nome ilustre e promessas vãs, o Emme Lotus prometia ser o sedã mais rápido do mundo e desapareceu com a mesma velocidade que prometia alcançar

Por Felipe Bitu
6 jul 2016, 21h48 • Atualizado em 19 out 2025, 11h23
  • Ele nasceu para ir a 100 km/h em 5 s e atingir 275 km/h
    Ele nasceu para ir a 100 km/h em 5 s e atingir 275 km/h (Acervo/Quatro Rodas)

    A vaidade é um pecado capital, mas sempre haverá alguém disposto a pagar bem para ter um carro exclusivo. Foi mirando nesse público que foi apresentado no Brasil Motor Show de 1997 o mais misterioso automóvel nacional: o Emme Lotus 422T.

    O folclore em torno dele surgiu quando algum tempo antes foi avistado um estranho protótipo nas rodovias paulistas do Vale do Paraíba. O alvoroço aumentou ao notarem nele o logotipo Lotus, numa época em que nossa indústria só tinha Fiat, VW, Ford e GM.

    Parte do mistério acabou em abril de 1997, quando a QUATRO RODAS publicou que se tratava de um sedã de luxo, menor que o Chevrolet Omega, feito em Pindamonhangaba pela Megastar, que também fabricava scooters.

    Mais que o desenho inusitado e futurista (e de gosto bem duvidoso), surpreendia pelo projeto 100% nacional, com o aval e a tecnologia fornecida pela Lotus: estrutura tubular coberta por carroceria de plástico injetado chamado VeXtrim, que prometia ser mais leve e resistente que o aço, além de custar menos e ser 100% reciclável.

    Emme Lotus 422T

    Continua após a publicidade

    Outra promessa era o desempenho: o 420 (2.0 aspirado, 148 cv) e o 420T (2.0 turbo, 200 cv) seriam só uma opção aos importados. Já o 422T (2.2 turbo, 264 cv) trazia a pretensão de se tornar o sedã mais rápido do mundo: 0 a 100 km/h em 5 segundos e máxima de 273 km/h.

    As suspensões eram independentes: as rodas de trás acompanhavam as dianteiras, evitando o sobresterço típico da tração traseira. No interior, banco de couro e revestimento no painel de nogueira ou fibra de carbono.

    Emme Lotus 422T

    Aproveitando os anseios de um mercado imaturo, a Megastar soube explorar o foco da exclusividade e relançou o Emme Lotus 422T no Salão do Automóvel de 1998, aceitando os primeiros pedidos, atraindo incautos que demoraram a perceber as mazelas do projeto.

    Continua após a publicidade

    Um dos claros sinais foi a vida efêmera da única autorizada, em São Paulo, que logo perdeu a representação da marca. Com a desvalorização do real, a importação de peças inviabilizou a produção da Megastar, que fechou as portas em 1999.

    Diante dos importados, seu acabamento interno e externo era inaceitável, com rebarbas aparentes e encaixes malfeitos. O amadorismo também se fazia presente na posição confusa de instrumentos e comandos e na ausência de itens como airbag e ABS.

    Emme Lotus 422T

    Continua após a publicidade

    O exemplar das fotos pertence ao colecionador Guilherme Junqueira e é o mesmo que a Emme apresentou no Salão de 1998, com placas EME-0422: “Gosto do desempenho, mas o que chama atenção são as peças emprestadas de carros nacionais, como as lanternas dianteiras do Ford Escort”, diz.

    A impressão que fica é a de que o nome Lotus vendeu o carro sozinho. O mistério envolvendo o sedã nacional deu origem à lenda de que a Lotus não participara do projeto e até a rumores de que a marca inglesa vendeu motores que não usava mais como sucata industrial, por peso – concebido para o Esprit, o 2.2 turbo foi descontinuado em 1996.

    Emme Lotus 422T

    Para piorar, o 422T era cerca de 300 kg mais pesado que o Esprit e seu câmbio Tremec T5 era o do Ford Mustang, com escalonamento refeito a pedido da Lotus, ligado a um diferencial traseiro autoblocante da Jaguar. Sua dirigibilidade em baixas rotações era crítica, exigindo o uso constante do turbo, com desempenho aquém do prometido.

    Continua após a publicidade

    Para desespero dos proprietários, o 422T foi apenas o fruto de uma aventura industrial: a Megastar seria uma subsidiária de um grupo com sede no pequeno país de Liechtenstein. O lançamento do Volvo S80 em 1998 indicou que o desenho do Emme nada mais era do que um plágio do Volvo ECC, um conceito apresentado em 1992.

    Ficha Técnica
    Motor longitudinal, 4 cilindros em linha, 2174 cm3, 16V, duplo comando de válvulas no cabeçote, injeção eletrônica, turbo
    Potência 264 cv a 6 500 rpm
    Torque 36,1 mkgf a 3.900 rpm (estimado)
    Câmbio manual de 5 marchas, tração traseira
    Dimensões comprimento, 462 cm; largura, 180 cm; altura, 140 cm; entre-eixos, 276 cm; peso, 1 591 kg
    Suspensão duplo quadrilátero nas 4 rodas com traseira autoesterçante
    Freios disco ventilado na frente e sólido atrás
    Pneus 225/50 R15 radiais

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    Apaixonado por carros? Então isso é pra você!
    Pare de dirigir no escuro: com a Quatro Rodas Digital você tem, na palma da mão, testes exclusivos, comparativos, lançamentos e segredos da indústria automotiva.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Quatro Rodas impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.