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Especial Blindados Modo de usar: Gestão de risco

Dirigir um carro blindado exige atenção a orientações de uso e manutenção, e também a comportamentos que podem reforçar a segurança

Por Marina Vaz
5 jan 2026, 15h38 • Atualizado em 5 jan 2026, 15h44
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 (Divulgação/Volvo)
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    a frequência sugerida para as revisões até como limpar os robustos, porém sensíveis, vidros. De como evitar a temida delaminação até dicas para não ficar vulnerável no embarque e desembarque. Confira, a seguir, o que especialistas recomendam para quem tem um blindado na garagem.

    DINÂMICA VEICULAR É importante ter sempre em mente que você está carregando um peso extra que varia, em média, de 150 kg a 250 kg. Por isso, mantenha distância do carro da frente, já que a resposta de frenagem pode ser mais lenta. Tenha cuidado ao passar por lombadas, valetas e buracos, para prevenir torções da carroceria. Evite manobras bruscas em alta velocidade, que podem desestabilizar o carro, que já tem seu centro de gravidade alterado por conta dos pesados vidros. E, claro, acompanhe o desgaste de estruturas mais demandadas nos blindados, como amortecedores, pneus e freios.

    MANUTENÇÃO Em geral, as revisões de blindagem seguem o cronograma das manutenções sugeridas pelas fabricantes e montadoras – uma vez por ano ou a cada 10.000 km. Algumas blindadoras, como a Concept Be Safe, dão a opção de enviar um especialista da empresa à própria concessionária, para que as duas sejam feitas de forma concomitante. Em geral, são realizadas manutenção das partes móveis, como motores dos vidros e limpeza das canaletas; lubrificação das dobradiças; correção de eventuais desalinhamentos das portas; inspeção para ver se há peças soltas, infiltrações ou trincas nos vidros.

    CUIDADOS ESPECIAIS A chamada parte transparente da blindagem está entre as que inspiram mais cuidados diários e, a qualquer sinal de problema, deve ser avaliada por um profissional especializado. “O vidro é a parte mais delicada; para ter a resistência que se espera, ele não pode ser temperado e, assim, não resiste à abrasão”, afirma Mário Brandizzi, CEO da BSS Blindagens. Fabricado com camadas intercaladas de vidro e polímero, a face mais próxima dos passageiros é sempre feita de policarbonato, para barrar estilhaços. No lado interno, não se deve passar nenhum produto, apenas um pano suave. A parte externa também merece atenção. “Um parafuso de caminhão, que voa e bate, trinca seu vidro”, alerta.

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    Pequenos riscos e trincas podem resultar, a médio e longo prazo, em um fenômeno bastante comum, a delaminação, que é quando as camadas se descolam e surgem bolhas no vidro. Nesses casos, em geral, a peça tem de ser totalmente substituída. Para evitar danos, Guido Muzio Candido, pesquisador do Centro de Engenharia Automotiva da Poli-USP, também desaconselha o uso de ventosas de apoio para celulares. Mas tags de acesso e insulfilme estão, segundo ele, liberados.

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    Revisar a blindagem é parte da manutenção (Ramon Costa/Divulgação)

    O choque térmico é outro ponto importante que pode trincar os vidros. Evite deixar o veículo exposto ao sol e, depois, lavá-lo com água fria. E cuidado na hora de acionar o ar-condicionado dentro de um carro que ficou horas exposto ao calor – ligue no nível mais fraco e vá aumentando aos poucos o resfriamento até a temperatura desejada.

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    COMPORTAMENTO SEGURO  “Quando você tem um blindado, o momento em que está mais vulnerável é na entrada e na saída do veículo, já que dentro dele você está protegido”, lembra Rafael Heck, perito criminal do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP-SP). Por isso, além de sempre olhar ao redor para ver se há alguma atitude ou pessoa suspeita, ele recomenda que qualquer embarque não demore mais do que cinco segundos. Com bebês e crianças, uma dica simples faz diferença: coloque a criança na cadeirinha, entre no carro, tranque as portas e, só então, ajuste o cinto de segurança nela.

    Na hora de estacionar, o policial recomenda sempre entrar com o carro de ré em vagas de edifícios, shoppings, mercados e até mesmo garagens de casas de rua, para conseguir mapear o ambiente ao redor antes de sair do veículo. Em trânsito lento, optar pelas faixas centrais costuma ser a melhor escolha, mas, se houver acostamento, Heck recomenda se manter perto dele, para facilitar a evasão com o blindado em meio a situações de risco. Nos semáforos, ele também indica sempre parar a 1 metro ou 1,5 metro da faixa e manter boa distância do veículo à frente. “Se eu consigo ver o pneu traseiro dele, significa que posso jogar tudo para a esquerda ou para a direita e ‘arrancar’ sem bater no carro da frente”, observa.

    Entretanto, se não houver chances de evadir com o veículo, Heck lembra que o microfone instalado no carro blindado também pode ser usado para gritar por socorro e alertar que está sendo abordado por um criminoso. A maioria dessas dicas vale para todos os motoristas, mesmo que não dirijam blindados.

     

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