Aston Martin negocia saída da F1 e pode vender equipe por US$ 146 milhões
Em dificuldades financeiras, fabricante busca reforçar caixa e avalia saída da bolsa de valores
Aston Martin pode estar prestes a mudar drasticamente seu modelo de negócios. Em meio a uma série de dificuldades financeiras, a marca britânica anunciou duas decisões que indicam um reposicionamento estratégico: vender sua participação na equipe de Fórmula 1 e estudar a possibilidade de fechar o capital da empresa.
A venda já está em andamento, a marca confirmou que assinou uma carta de intenções vinculante para vender os 4,6% que ainda possui na equipe de Fórmula 1, por cerca de US$ 146 milhões. O comprador não foi divulgado, mas o objetivo é claro: gerar caixa para o negócio de carros de rua, que vem enfrentando forte pressão por conta de tarifas elevadas nos Estados Unidos e da queda na demanda na China.
Mesmo com a venda da participação acionária, o nome da marca continuará na principal categoria do automobilismo mundial. Isso acontece devido a um acordo comercial que garante a permanência do nome da equipe como Aston Martin Aramco Formula One Team.
Na prática, o controle da operação esportiva permanece com o empresário Lawrence Stroll, que detém os direitos sobre a equipe por meio de outras empresas fora da Aston Martin Lagonda. Ele foi o responsável por trazer o nome da marca de volta à Fórmula 1 e continua como figura central nos bastidores tanto da escuderia quanto da fabricante de carros.
Paralelamente, o Stroll, que também lidera o consórcio Yew Tree Investments — atualmente dono de cerca de 27,7% da Aston Martin, irá fazer um novo investimento que irá ampliar sua fatia para aproximadamente 33%. Essa injeção de capital, somada à venda da parte na equipe de F1, deve garantir fôlego financeiro até o fim de 2025.
Desde que abriu capital, em outubro de 2018, com ações cotadas a 19 libras esterlinas, o valor dos papéis caiu para cerca de 71 pence, o que equivale a uma queda de mais de 95%. Hoje, a montadora é avaliada em cerca de 1 bilhão de dólares — muito abaixo dos quase 6 bilhões de dólares de quando estreou na bolsa de Londres.
A perda de valor, que foi denominada como uma “piada” por Lawrence Stroll, alimenta ainda mais os rumores de que a empresa pode voltar a ser privada. Um analista da consultoria Third Bridge afirmou que a possibilidade está na mesa e poderia ajudar a simplificar a estrutura acionária, atrair parceiros de longo prazo e reduzir os custos administrativos associados à presença no mercado público.
Enquanto isso, a fabricante trabalha para otimizar seus custos e melhorar sua competitividade, mas as mudanças estruturais devem surtir efeito apenas a partir de 2027. Até lá, o plano parece ser sobreviver com o que há à disposição — e a Fórmula 1, por mais glamourosa que seja, virou peça de negociação.






