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Grandes Brasileiros: Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê

Elegante, confortável e refinado, ele foi um dos últimos cupês grandes e resistiu o quanto pôde às investidas dos rivais

Por Por Felipe Bitu
5 out 2012, 17h27 • Atualizado em 23 nov 2016, 16h30
Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
Faróis trapezoidais marcaram a última reestilização, em 1988  (/)
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  • Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    Faróis trapezoidais marcaram a última reestilização, em 1988 ()

    Velho conhecido do brasileiro, o Opala sofreu uma revitalização em 1980 que lhe permitiu atravessar a década com o título de maior e mais sofisticado automóvel brasileiro. Entre suas versões destacava-se o Comodoro, que perdera o status de topo de linha para o Diplomata no ano anterior, mas ainda mantinha a aura de sofisticação.

    As mudanças começavam por uma atualização do design: linhas retilíneas em capô e porta-malas, com faróis, piscas e lanternas traseiras retangulares e envolventes. A placa traseira estava agora entre as lanternas e escondia o bocal de combustível (como no Corcel II) e os para-choques ficavam mais robustos, mesclando bordas cromadas e centro preto. Um friso de borracha ornava e protegia a lateral.

    Controversa, a reestilização não agradou a todos, mas o comportamento dinâmico sim: bitolas mais largas e geometria de direção revista tornavam ainda melhor a performance dos pneus radiais, agora de série. O Comodoro evoluiu para uma dirigibilidade neutra e direção mais precisa. O esmero no acabamento era superior ao dos Opala básicos, com carpete até no porta-malas, mas o desenho do painel era o dos anos 60, preto e marrom – não havia mais a opção do vinho. Pintura metálica, direção hidráulica, câmbio de quatro marchas e retrovisor direito estavam entre os opcionais mais pedidos.

    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    Redesenhado, painel ganharia revestimento plástico em 1981 ()
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    O painel redesenhado, todo de plástico, viria em 1981. Entre os avanços, hélice do radiador com embreagem eletromagnética e válvula equalizadora no freio, atenuando a tendência de travar a traseira. Em 1982, ganhou ignição eletrônica e um tanque tão grande (84 litros) que invadia o porta-malas, agora de abertura elétrica. Mas as alterações só evidenciavam o abismo que separava o Opala do moderno Monza, lançado no mesmo ano. Notava-se a idade do projeto nos engates duros e imprecisos do câmbio de cinco marchas, adotado em 1983 no quarto-cilindros. O sucesso do cupê estava em combinar luxo e desempenho por apenas 70% do preço de um Diplomata.

    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    Forração dos bancos era mais refinada que a dos Opala básicos ()

    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    Acesso ao banco traseiro não era problema numa época em que quatro portas eram raridade ()

    No meio da década o acabamento externo mudou, com retrovisores maiores e maçanetas embutidas nas portas. As lanternas passavam a ter os piscas de cor âmbar e os para-choques invadiam as laterais. 


    O Comodoro resistia ao avanço da concorrência com preços convidativos: agora era possível adquiri-lo por 65% do que se cobrava por um moderno Monza. Mas suas largas colunas traseiras ainda comprometiam a visibilidade, fazendo com que o vidro térmico traseiro fosse opcional quase obrigatório.

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    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    O Comodoro cupê não resistiu ? chegada do Monza ()

    O canto do cisne do cupê foi em 1988, quando o Comodoro herdou a sigla SL/E do Monza, que inspirou ainda o formato trapezoidal dos faróis. Na traseira, uma cobertura plástica obrigava a placa a voltar à posição tradicional. No interior, opcionais inéditos: coluna de direção ajustável, saídas de ar na traseira e temporizadores dos vidros, faróis e luz interna. Eixo cardã bipartido, barra estabilizadora dianteira mais grossa e amortecedores pressurizados completavam a última atualização. É desse ano o Comodoro 4.1 do professor Marcelo Bocchi, de São Bernardo do Campo (SP).”A experiência de dirigir o último dos Comodoro cupê é surpreendente: esbanja maciez e conforto. O desempenho do seis-cilindros nas retas é fantástico, especialmente em retomadas e ultrapassagens.”

    O Opala foi fabricado por mais quatro anos, só na versão de quatro portas, como o carro favorito de órgãos governamentais e entusiastas do modelo. Mas o cupê, desde sua apresentação, em 1971, nunca mais deixou a imaginação e os sonhos dos opaleiros.

    Teste QUATRO RODAS – fevereiro de 1982
    OPALA COMODORO 2.5 (ÁLCOOL)
    Aceleração de 0 a 100 km/h 18,65 s
    Velocidade máxima 146,7 km/h
    Frenagem de 80 km/h a 0 33,9 m
    Consumo urbano 7,41 km/l
    Consumo rodoviário 9,23 km/l
    FICHA TÉCNICA – Opala Comodoro SL/E 4.1 1988
    Motor longitudinal,6 cilindros em linha, carburador de corpo duplo, a álcool
    Cilindrada 4097 cm3
    Potência 134,4 cv(ABNT) a 4 000 rpm
    Torque 30,1 mkgf a 2000 rpm
    Câmbio manual de 4 marchas, tração traseira
    Dimensões comprimento, 480 cm; largura, 177 cm; altura, 137 cm; entre-eixos, 267 cm
    Peso 1220 kg
    Suspensão dianteira McPherson
    Suspensão traseira eixo rígido com molas helicoidais
    Pneus 195/70 R14 radiais
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