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Renault encerra divisão Ampere de carros elétricos para cortar custos

Unidade criada para ser a "Tesla francesa" será absorvida pelo Grupo Renault em julho; sucesso do R5 e Twingo permanece, mas IPO cancelado motivou decisão

Por Nicolas Tavares
23 jan 2026, 12h36 •
Renault Twingo E-Tech
 (Divulgação/Renault)
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  • A Renault decidiu encerrar a trajetória da Ampere. A divisão, criada para concentrar o desenvolvimento e a produção de carros elétricos e software, deixará de existir como unidade independente em julho de 2026. A decisão parte do CEO do Grupo Renault, François Provost, como parte de um esforço estratégico para eliminar complexidades operacionais e reduzir custos corporativos.

    A medida, confirmada por fontes sindicais e relatada pelas agências Reuters e Automotive News Europe, marca uma mudança de rota significativa. A Ampere foi idealizada pelo antigo CEO, Luca de Meo, para ser a “resposta europeia” à Tesla, com agilidade de startup e potencial para atrair investimentos externos. No entanto, o cancelamento da oferta pública inicial de ações (IPO) em janeiro de 2024, devido ao desaquecimento do mercado de elétricos, tornou a estrutura segregada redundante.

    Renault Twingo

    Embora a marca Ampere perca o status de empresa independente, a Renault garante que a operação industrial não sofrerá cortes drásticos. O objetivo agora é a reintegração total para ganhar eficiência interna.

    A principal mudança prática é o retorno das fábricas ao controle direto do Grupo Renault. O complexo industrial no norte da França, que inclui as linhas de montagem de Douai (onde é feito o Renault 5) e a fábrica de motores elétricos de Cleon, deixarão de responder à gestão separada da Ampere.

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    Essa centralização visa simplificar processos. A criação da Ampere exigiu a duplicação de algumas estruturas administrativas que, sem a entrada de capital externo via IPO, tornaram-se custos desnecessários. A meta original da divisão era reduzir os custos dos veículos elétricos em 40% até 2027-2028, algo que a Renault afirma estar conseguindo, mas que agora será gerido sob um único teto corporativo.

    Renault 5 E-Tech
    (Renault 5 E-Tech/Renault)

    A engenharia de software, contudo, manterá um núcleo específico. Cerca de 1.000 engenheiros especializados em eletrônica de potência e arquitetura de software continuarão trabalhando em tecnologias avançadas, ainda sob a designação interna “Ampere”, focando no desenvolvimento dos veículos definidos por software (SDV) previstos para estrear ainda este ano.

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    Apesar do fim da estrutura jurídica, a estratégia da Ampere entregou produtos cruciais para a competitividade da marca. A unidade foi responsável pelo desenvolvimento acelerado do novo Renault Twingo, que partiu do congelamento do conceito à produção em menos de dois anos — um recorde para a fabricante, alcançado com o auxílio do centro de engenharia da marca em Xangai.

    Renault 5 E-Tech

    Em termos de mercado, a “era Ampere” deixa dois marcos importantes na Europa:

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    • Renault 5: Lançado com preço inicial na casa dos 25.000 euros, tornou-se um sucesso de vendas imediato.

    • Novo Twingo: Projetado para custar menos de 20.000 euros, atacando diretamente a entrada do segmento elétrico.

    As metas financeiras estipuladas para a unidade eram ambiciosas: receita superior a 10 bilhões de euros em 2025 e margem operacional de 10% a partir de 2030. Com a reintegração, esses números diluem-se no balanço geral do Grupo, mas a eficiência produtiva conquistada permanece.

    A reestruturação levanta preocupações naturais sobre postos de trabalho, mas a gestão de Provost assegurou aos sindicatos que não haverá demissões. A Ampere emprega atualmente cerca de 11.000 pessoas, desde operários de chão de fábrica até engenheiros de alta tecnologia.

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    Para mitigar qualquer excedente, a Renault conta com um plano de aposentadoria antecipada anunciado no final de 2025. O sindicato CFE-CGC, que representa os engenheiros, declarou que a “simplificação da organização era necessária e esperada”, embora mantenha vigilância sobre o novo plano estratégico de médio prazo que será revelado nas próximas semanas.

    A decisão reflete um “banho de realidade” que atinge todo o setor automotivo. A expectativa de que divisões de elétricos (como a Polestar na Volvo) superariam as marcas-mãe em valor de mercado esfriou junto com o interesse dos investidores. Além disso, a prometida ajuda financeira dos parceiros da aliança, Nissan e Mitsubishi, foi adiada indefinidamente devido às dificuldades financeiras da montadora japonesa.

    Com o fim da Ampere e o fechamento prévio da unidade de mobilidade Mobilize, François Provost sinaliza uma Renault mais enxuta, focada em fabricar carros competitivos sem malabarismos corporativos. A produção segue a todo vapor, mas agora, todos vestem a mesma camisa.

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