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Karmann Ghia, o único Volkswagen nacional conversível

Conversível de fábrica mas com ares de um fora de série, a exclusividade fez dele um clássico valorizado e disputado entre colecionadores

Por Fabiano Pereira
30 dez 2025, 09h00 •
  • Karmann Ghia, o único Volkswagen nacional conversível
    Karmann Ghia conversível 1969 da Volkswagen

    Demorou para a Volkswagen brasileira ter seu próprio Karmann Ghia conversível. Se na Europa ele existia desde 1958, por aqui só chegou uma década depois.

    O motor 1200 de 36 cv do Karmann nacional foi substituído pelo 1500 de 52 cv em 1967. Produzido no Brasil desde 1962, nosso cupê era presença bem mais comum nas ruas do que o Karmann Ghia aberto — até hoje, o único Volkswagen nacional conversível de fábrica.

    Assim como ocorria com o cupê, o chassi com a mecânica saía da fábrica da Volkswagen na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), e seguia para a Karmann, instalada nas proximidades.

    O médico Paulo Cesar Sandler, historiador e autor de livros sobre clássicos nacionais (inclusive um sobre o Karmann Ghia), explica que o conversível, feito em pequenos lotes, era “um fora-de-série de fábrica”. O teto era mais simples do que o do modelo alemão, com estrutura própria e sem forração interna.

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    Karmann Ghia, o único Volkswagen nacional conversível

    Detalhe do Karmann Ghia conversível 1969 da Volkswagen

    Para 1968, a linha Karmann Ghia brasileira passou por sua atualização mais significativa. As lanternas ficaram maiores e as rodas ganharam novo desenho. Com revestimento plástico que imitava jacarandá, o novo painel ainda sentia falta de um conta-giros, mas dispensava o relógio do tamanho do velocímetro.

    No interior, botões e comandos de baquelite, antes brancos, passaram a ser pretos — detalhes presentes no exemplar 1969, na cor vinho, fotografado.

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    De propriedade do presidente do Karmann Ghia Club, Henrique Erwenne, o carro foi comprado em 1983 e restaurado ao longo de seis anos. “A carroceria é toda nova”, afirma o dono. Faróis de milha e de ré, antena e rádio Blaupunkt são acessórios alemães de época.


    Karmann Ghia, o único Volkswagen nacional conversível
    Traseira do Karmann Ghia conversível 1969 da Volkswagen

    No banco traseiro, cabem apenas crianças e alguma bagagem atrás do encosto. A ausência do teto rígido exigiu reforços longitudinais nas portas e transversais na base da capota e nos batentes. Boa parte da visibilidade proporcionada pela capota rebatida se perde ao fechá-la — mesmo com a janela traseira maior. Para recolhê-la, é necessário baixar antes o zíper da janela traseira.

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    Comandos e câmbio bem posicionados lembram os do Fusca. O volante grande, também igual ao do Fusca, facilita as manobras. A QUATRO RODAS nunca testou o conversível, mas Erwenne estima que o comportamento dinâmico das duas versões fosse equivalente.

    Expedito Marazzi avaliou o cupê 1500 em maio de 1967. “Antes do novo motor, até veículos de cilindrada inferior o superavam na estrada, com certa facilidade”, escreveu.

    A chave de ignição comandava a trava do câmbio e só podia ser retirada com a alavanca em ponto-morto — um risco ao estacionar em ladeiras. Em 1970, a adoção do motor 1600 de 60 cv e de freios a disco dianteiros daria fôlego extra ao esportivo.

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    Karmann Ghia, o único Volkswagen nacional conversível

    Motor do Karmann Ghia conversível 1969 da Volkswagen

    Dos 29.287 Karmann Ghia produzidos, acredita-se que 177 fossem conversíveis, fabricados até 1971. Nem Volkswagen nem Karmann divulgaram números oficiais. Sandler ouviu versões diferentes: Georg Maisch, auxiliar pessoal do projetista Harald Gessner na Karmann à época, afirmou que foram 169 unidades.

    O escritor relata ainda que alguns cupês tiveram o teto cortado e receberam numeração falsificada. Um legítimo Karmann Ghia conversível ocupa lugar de destaque em qualquer coleção dedicada a modelos nacionais — e seu preço reflete esse prestígio.

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    Publicado originalmente em dezembro de 2009

    Ficha técnica

    Motor: traseiro, longitudinal, quatro cilindros boxer, 1.493 cm³, carburador de corpo simples
    Diâmetro x curso: 83 x 69 mm
    Taxa de compressão: 6,6:1
    Potência: 52 cv a 4.600 rpm
    Torque: 9,9 mkgf a 2.600 rpm
    Câmbio: manual de quatro marchas, tração traseira
    Dimensões: comprimento, 414 cm; largura, 163 cm; altura, 133 cm; entre-eixos, 240 cm; peso, 860 kg
    Suspensão: dianteira independente, duas barras de torção, com estabilizador; traseira independente, duas barras de torção
    Freios: tambor nas quatro rodas
    Rodas e pneus: aço, 15 x 4J, pneus diagonais 160/15

    Preço

    Maio de 1970 – Cr$ 17.971
    Atualizado (IGP-DI, agosto de 2020) – R$ 128.849

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