Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Oferta Relâmpago: Digital por apenas 5,99

Fúria GT, o lendário fora-de-série brasileiro com mecânica Alfa Romeo

Criado por Toni Bianco em 1971, o Fúria GT usava mecânica Alfa Romeo e chegou a ser elogiado pela QUATRO RODAS, mas não passou do protótipo

Por Fabiano Pereira
20 dez 2025, 14h00 •

  • Fúria GT

    Esportivos com mecânica Alfa Romeo sempre foram bem-sucedidos no mercado italiano. No Brasil, porém, a trajetória da marca nunca alcançou o mesmo fôlego. Inicialmente, os Alfa Romeo foram produzidos sob licença pela Fábrica Nacional de Motores (FNM), que levou o “cuore sportivo” aos sedãs JK e 2300, ainda nos anos 1960.

    Após a tentativa frustrada de produzir o FNM Onça, em 1966, surgiu em 1971 a oportunidade de criar um cupê Alfa nacional. O projeto resultou no GT da Fúria Auto Esporte, empresa do projetista Toni Bianco e do executivo da FNM Vittorio Massari.

    A ideia partiu de um engenheiro da FNM ligado ao departamento de competições da marca. “Bati martelo por nove meses para construir o carro”, relembra Bianco. O protótipo foi feito em aço e serviria de molde para as carrocerias definitivas em fibra de vidro, material que já era utilizado nos para-choques.

    Fúria GT

    Continua após a publicidade

    Linhas retas predominavam, inspiradas na arquitetura Bauhaus. O cupê fastback 2+2 antecipava o estilo do Alfa Romeo 2300 e lembrava mais o Lamborghini Jarama do que os esportivos italianos da marca — à exceção do GTV, que só seria lançado em 1974.

    Os bancos dianteiros tinham formato de concha e apoio de cabeça. O volante esportivo de três raios metálicos era revestido de madeira, enquanto a ignição ficava à esquerda, em um painel que repetia os traços externos. “Num almoço no Rio, conseguiram vender 50 unidades”, conta o projetista, referindo-se ao interesse inicial pelo modelo, que usava logotipos da Alfa Romeo.

    Fúria GT

    Continua após a publicidade

    A mecânica era baseada no FNM 2150. À época, dizia-se que Bianco havia reduzido o entre-eixos para 2,5 metros — o mesmo da Alfa Romeo 2000 Spider —, além de instalar dois carburadores duplos e elevar a taxa de compressão. O projetista afirma que a plataforma veio da Itália, de um Alfa de competição.

    Criado para ser cerca de 300 kg mais leve que o sedã FNM 2150, o Fúria GT entregava 130 cv e tinha velocidade máxima estimada em 170 km/h. A previsão era produzir entre 12 e 25 unidades por mês.

    Em novembro de 1971, QUATRO RODAS publicou as impressões ao dirigir do protótipo. Os elogios iam para a visibilidade, o nível de ruído, a estabilidade em curvas, os freios e a posição de dirigir, com câmbio e comandos bem posicionados.

    Continua após a publicidade

    Por outro lado, acelerador e freio ficavam próximos demais, dificultando o punta-tacco, e a direção era considerada precisa, porém pesada. “Aos poucos, a gente vai sentindo seu rodar macio, ajudado pela suspensão original do FNM 2150”, registrou a revista.

    Fúria GT

    Apesar da boa recepção inicial, o Fúria GT nunca teve continuidade. Bianco afirma ter concluído quatro carrocerias, mas não sabe explicar por que o interesse pelo modelo se perdeu. O protótipo, que poderia ter rivalizado com Puma GTB e Santa Matilde nos anos 1970, era vermelho, inclusive nas rodas de magnésio aro 15.


    Fúria GT

    Continua após a publicidade

    Segundo o proprietário atual, o carro foi comprado nessa cor e havia sofrido um acidente cerca de 20 anos atrás. Antes disso, já tinha sido repintado de prata na própria FNM, para eventos posteriores à avaliação da revista. “Como é um JK encurtado, trepida muito. Numa viagem ao Rio, os limpadores queriam levantar e o forro do teto formava uma bolha”, relata.

    “É o carro em que se fica mais longe do painel e da direção. O banco tem efeito de mergulho, senta-se no assoalho.” Depois do Fúria GT, os Alfa Romeo brasileiros passaram a ter apenas quatro portas. Toni Bianco, porém, não abandonou os esportivos: nos anos 1970, criaria os fora de série Bianco S e Dardo.

    Bianco S

    Outro Fúria criado por Bianco, o Bianco S ganhou mais notoriedade nas pistas no fim dos anos 1960 e início dos 1970. Diferente do GT de 1971, utilizou diversas motorizações, incluindo FNM 2150, seis-cilindros do Opala, V8 da Chrysler e até motores BMW e Lamborghini. Em 1976, teria uma versão de rua, mais larga e equipada com motor Volkswagen.

    Ficha Técnica – Fúria GT
    Motor: 4 cilindros em linha, longitudinal, 2 131 cm³, 2 carburadores Solex 42 duplos horizontais, 2 comandos de válvulas no cabeçote, refrigeração a água, a gasolina. Diâmetro x curso: 84,5 x 95 mm. Taxa de compressão: 9,5:1. Potência: 130 cv a 5 700 rpm
    Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
    Carroceria: cupê 2+2
    Suspensão: Dianteira: independente, molas espirais, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos. Traseira: eixo rígido, molas helicoidais, barras tensoras, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos
    Freios: disco na dianteira e tambor na traseira, servoassistidos
    Rodas e pneus: magnésio, 6×15, pneus 185 RS 15 radiais
    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    Apaixonado por carros? Então isso é pra você!
    Pare de dirigir no escuro: com a Quatro Rodas Digital você tem, na palma da mão, testes exclusivos, comparativos, lançamentos e segredos da indústria automotiva.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Quatro Rodas impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.