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Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê atravessou os anos 80 entre luxo e tradição

Elegante, confortável e refinado, ele foi um dos últimos cupês grandes e resistiu o quanto pôde às investidas dos rivais

Por Felipe Bitu
4 jan 2026, 08h00 • Atualizado em 19 jan 2026, 11h47
Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
O Comodoro cupê não resistiu à chegada do Monza  (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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  • Velho conhecido do brasileiro, o Opala passou por uma revitalização em 1980 que lhe permitiu atravessar a década com o título de automóvel nacional de maior porte e sofisticação. Entre as versões, destacava-se o Comodoro, que havia perdido o posto de topo de linha para o recém-lançado Diplomata no ano anterior, mas ainda preservava a aura de modelo refinado.

    As mudanças começavam pelo design. Capô e porta-malas ganharam linhas mais retilíneas, enquanto faróis, piscas e lanternas traseiras passaram a ser retangulares e envolventes. A placa traseira foi reposicionada entre as lanternas e passou a esconder o bocal do combustível, solução semelhante à adotada no Corcel II. Os para-choques ficaram mais robustos, com bordas cromadas e centro preto, e um friso de borracha passou a proteger a lateral da carroceria.

    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê

    Controversa, a reestilização dividiu opiniões, mas o comportamento dinâmico agradou. Bitolas mais largas e geometria de direção revista melhoraram o aproveitamento dos pneus radiais, agora de série.

    O Comodoro evoluiu para uma condução mais neutra, com direção mais precisa. O acabamento era mais caprichado do que o dos Opala de entrada, incluindo carpete no porta-malas. Já o painel, com desenho herdado dos anos 1960, mantinha o padrão preto e marrom, sem a opção do tom vinho. Pintura metálica, direção hidráulica, câmbio manual de quatro marchas e retrovisor direito figuravam entre os opcionais mais procurados.

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    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    Redesenhado, painel ganharia revestimento plástico em 1981 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

    O painel totalmente redesenhado, feito em plástico, chegou em 1981. Vieram também avanços técnicos, como hélice do radiador com embreagem eletromagnética e válvula equalizadora no sistema de freios, que reduzia a tendência de travamento das rodas traseiras. Em 1982, o modelo ganhou ignição eletrônica e um tanque de combustível de 84 litros, tão grande que avançava sobre o porta-malas, agora com abertura elétrica.

    Essas evoluções, porém, apenas reforçavam o distanciamento em relação ao Monza, lançado no mesmo período com projeto mais moderno. A idade do Opala ficava evidente nos engates duros e imprecisos do câmbio de cinco marchas, adotado em 1983 nas versões de quatro cilindros. Ainda assim, o cupê mantinha apelo ao combinar luxo e desempenho por cerca de 70% do preço cobrado por um Diplomata.

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    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    Forração dos bancos era mais refinada que a dos Opala básicos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

    No meio da década, o acabamento externo mudou novamente, com retrovisores maiores, maçanetas embutidas e lanternas traseiras com setas âmbar. Os para-choques passaram a envolver as laterais da carroceria.

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    O Comodoro resistia ao avanço da concorrência com preços mais acessíveis: custava cerca de 65% do valor de um Monza moderno. Em contrapartida, as largas colunas traseiras prejudicavam a visibilidade, tornando o vidro térmico traseiro um opcional quase indispensável.

    O canto do cisne do cupê veio em 1988, quando o Comodoro herdou a sigla SL/E do Monza e adotou faróis de formato trapezoidal. Na traseira, uma cobertura plástica reposicionou a placa para o local tradicional.

    Chevrolet Opala Comodoro SL/E Cupê
    Acesso ao banco traseiro não era problema numa época em que quatro portas eram raridade (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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    O interior recebeu novos opcionais, como coluna de direção regulável, saídas de ar para os bancos traseiros e temporizadores para vidros, faróis e luz interna. Eixo cardã bipartido, barra estabilizadora dianteira mais espessa e amortecedores pressurizados completaram a última atualização.

    É desse ano o Comodoro 4.1 do professor Marcelo Bocchi, de São Bernardo do Campo (SP). “A experiência de dirigir o último Comodoro cupê é surpreendente: esbanja maciez e conforto. O desempenho do seis-cilindros nas retas é especialmente forte em retomadas e ultrapassagens.”

    O Opala seguiu em produção por mais quatro anos apenas na versão de quatro portas, consolidando-se como carro de órgãos governamentais e entusiastas. O cupê, porém, desde sua estreia em 1971, nunca deixou de ocupar o imaginário e os sonhos dos opaleiros.

    Teste QUATRO RODAS – fevereiro de 1982

    Teste QUATRO RODAS – fevereiro de 1982
    OPALA COMODORO 2.5 (ÁLCOOL)
    Aceleração de 0 a 100 km/h 18,65 s
    Velocidade máxima 146,7 km/h
    Frenagem de 80 km/h a 0 33,9 m
    Consumo urbano 7,41 km/l
    Consumo rodoviário 9,23 km/l

    Ficha técnica – Opala Comodoro SL/E 4.1 1988

    FICHA TÉCNICA – Opala Comodoro SL/E 4.1 1988
    Motor longitudinal, 6 cilindros em linha, carburador de corpo duplo, a álcool
    Cilindrada 4097 cm3
    Potência 134,4 cv (ABNT) a 4.000 rpm
    Torque 30,1 mkgf a 2.000 rpm
    Câmbio manual de 4 marchas, tração traseira
    Dimensões comprimento, 480 cm; largura, 177 cm; altura, 137 cm; entre-eixos, 267 cm
    Peso 1.220 kg
    Suspensão dianteira McPherson
    Suspensão traseira eixo rígido com molas helicoidais
    Pneus 195/70 R14 radiais

     

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