Avatar do usuário logado
Usuário
Oferta Relâmpago: Assine por apenas 9,90

Carro blindado: veja os preços, níveis de proteção e como escolher o nível de proteção

Tudo o que você precisa saber antes – entre diferentes níveis e preços, materiais utilizados, atuação das blindadoras e trâmites burocráticos

Por Marina Vaz
27 fev 2026, 08h50 • Atualizado em 27 fev 2026, 08h57
BSS_Blindagens_area_de_desmontagem_CREDITO_Ramon_Costa copy
A blindagem deve constar do documento do veículo  (Ramon Costa/Quatro Rodas)
Continua após publicidade
  • Antes de adquirir um carro blindado, a primeira coisa a se pensar é quais são suas prioridades e  expectativas. Se faz questão de materiais com a tecnologia mais avançada e refinada, você pagará por isso. Se a prioridade é obter mais segurança com o menor investimento possível, você provavelmente dirigirá um carro mais pesado. Em qualquer caso, todos os produtos utilizados são de uso controlado pelo Exército, que também regulamenta o funcionamento das empresas blindadoras e é responsável por autorizar cada nova blindagem de veículo, individualmente.

    Há vários níveis de blindagem, que vão do I até o III (com algumas subdivisões acompanhadas da letra “A”), de acordo com a arma e o calibre que são capazes de barrar. Mais acessível financeiramente, a de nível I ficou famosa pelo projeto Armura, lançado pela empresa DuPont, em 2008. Mas, como ela só protege contra projéteis de calibre .22 e .38, hoje é bem menos procurada, assim como as de nível II e II-A (que caíram em total desuso).

    BSS_Blindagens_remontagem_de_veiculos_CREDITO_Ramon_Costa copy
    O custo de uma blindagem pode variar de R$ 60.000 a R$ 400.000, dependendo do carro e do nível de proteção pretendido (Ramon Costa/Quatro Rodas)

    Atualmente, mais de 90% das blindagens brasileiras são feitas para o nível III-A, por sua boa relação custo/benefício diante das outras e por garantir proteção contra todas as armas curtas, entre pistolas e revólveres, além de submetralhadoras 9mm. Já o nível III, o mais alto permitido para civis no Brasil, exige requerimento especial ao Exército (justificado por risco de atentado, por exemplo) e protege também contra armas longas, entre fuzis e metralhadoras.

    Na Concept Be Safe, por exemplo, a blindagem de nível I custa por volta de R$ 60.000. Já a de nível III-A varia de R$ 80 a R$ 150.000, dependendo do veículo e do projeto. E, neste ano, a empresa viu crescer a procura pelo nível III, cujo preço fica entre R$ 280 e R$ 400.000 – ainda assim, produziu, em 2025, apenas cinco carros desse tipo.

    Continua após a publicidade

    “De forma prática, podemos separar a blindagem entre transparente e opaca. A transparente são os vidros, que é o que mais pesa no automóvel. A opaca é aquilo que a gente não vê e vai adaptado no interior do veículo. É com ela que se precisa ter mais critério e cuidado”, afirma Fabio Rovedo de Mello, diretor de assuntos institucionais da Concept.

    MERCADO_Porsche_blindado_pela_Concept_detalhe-vidro_CREDITO_Rafa_Franco copy
    (Rafa Franco/Quatro Rodas)

    Na III-A, a parte opaca é feita com manta de aramida, além de aço em pontos estratégicos, como colunas estruturais do veículo e nos chamados “overlaps”, sobreposições feitas para que não haja vãos entre os materiais. Hoje em dia, esse aço pode ser substituído pelo Polietileno de Ultra Alto Peso Molecular (UHMWPE), moderno plástico que torna a blindagem bem mais leve  – e mais cara.

    Continua após a publicidade

    Na hora de escolher a blindadora, é importante investigar o histórico da empresa, visitar a fábrica e tirar todas as dúvidas sobre seus projetos e seus processos, que variam muito de uma para outra. “Os materiais e as empresas são certificados pelo Exército, mas ninguém fiscaliza sua aplicação”, observa Guido Muzio Candido, pesquisador do Centro de Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

    Concept_Be_Safe_Blindados_ambiente_fabrica_CREDITO_Marcelo_Gomes copy
    Antes de contratar uma blindadora, é importante visitar as instalações e pesquisar a reputação da empresa no mercado (Marcelo Gomes/Quatro Rodas)

    Foi essa lacuna que inspirou a tese de doutorado de Candido, na qual ele criou a metodologia DfA2 – Projeto para Montagem e Blindagem, que propõe um padrão de qualidade para tais processos. Durante a pesquisa, ele visitou dez grandes blindadoras de São Paulo para conhecer suas melhores práticas. Segundo o engenheiro, detalhes de execução podem interferir positiva ou negativamente na eficiência e na conservação da proteção balística. “O sistema de blindagem tem que conversar com o sistema automotivo; é preciso saber onde e como colocar cada peça.”

    Continua após a publicidade

    Atualmente, Candido se dedica a um pós-doutorado sobre blindagem de veículos elétricos, outro setor que vem crescendo no Brasil. A própria blindadora Concept inaugurou, no mês de março, em Sumaré (SP), uma fábrica dedicada a blindar exclusivamente veículos eletrificados.

    “Esse tipo de trabalho precisa ser muito bem orientado, especializado e seguir as Normas Automotivas de Alta-Tensão, porque a energia que passa ali é superperigosa”, diz Adriano Rufino, diretor de mobilidade urbana na Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). “O centro gravitacional está embaixo e há um acréscimo (de peso) devido às baterias, que ficam no assoalho. Então, é importante fazer uma blindagem de tecnologia mais fina”, diz o especialista.

    Continua após a publicidade
    Funcionário da
    (Marco de Bari/Quatro Rodas)

    Definido o projeto e escolhida a empresa, é preciso entregar a documentação à blindadora – incluindo o Termo de Idoneidade, que atesta que o comprador não responde a processos criminais – para que seja emitida pelo Exército a Autorização de Blindagem (AB), em um processo que costuma levar de nove  a dez dias úteis, segundo Andreia Canassa Volpato, fundadora da Proacta Assessoria Documental. Concluído o serviço, será emitida a Declaração de Blindagem (DB), documento que acompanha o veículo por toda a sua vida.

    Mesmo que um blindado já pronto seja adquirido zero-km de uma concessionária, o comprador deve providenciar toda a documentação solicitada, incluindo o Termo de Idoneidade. Após receber o carro, acompanhado da AB e da DB, cabe ao proprietário regularizar tudo no Detran, para que o termo “blindado” conste no campo “modificação” do documento do veículo, o que pode ser feito com ou sem a ajuda de um despachante.

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Apaixonado por carros? Então isso é pra você!
    Pare de dirigir no escuro: com a Quatro Rodas Digital você tem, na palma da mão, testes exclusivos, comparativos, lançamentos e segredos da indústria automotiva.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Quatro Rodas impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.