BYD recompra Shark de cliente após pane no motor com 400 km rodados
Proprietário rodou apenas uma semana com a picape híbrida antes do motor parar de funcionar em viagem. Após um mês e meio, recebeu o dinheiro de volta

O vídeo mais visto no perfil do instagram do agrônomo Vanderley Campos Junior, tem 3 milhões de visualizações. É o caso de uma BYD Shark que apresentou pane mecânica após rodar apenas 400 km.
O carro é do dentista Leonardo Correa Miranda, de Campo Grande (MS). Ele comprou a picape híbrida, que é vendida em versão única por R$ 379.800, no dia 22 de novembro de 2024. Rodou um total de 185 km dentro da cidade e, após alguns dias, resolveu pegar a estrada com destino a Cuiabá (MT), que fica a 703 km de distância. Isso foi no dia 29 de novembro.
“Estava acompanhado da minha esposa, sogra e filha de cinco anos e todos percebemos vários trancos no motor, e o quanto que ele estava barulhento por trabalhar em alta rotação e logo em seguida apareceu a mensagem no quadro de instrumentos pedindo a verificação do motor”, conta Miranda.
Foi após o aviso no painel que Leonardo começou a sentir um forte cheiro de queimado. “Ficamos desesperados, devido aos relatos de modelos elétricos incendiados, e assim que a bateria da Shark descarregou ela parou de vez. Deixei minha família no carro para procurar ajuda, já que não tinha sinal de celular e tive que andar 10 quilômetros”, relata.
Só na madrugada do dia 30 que Leonardo e família voltaram pra casa, graças ao seguro do carro. O proprietário relata que o atendimento ao cliente da BYD se limitava a informar que não possuía atendimento aos fins de semana.
“No primeiro dia de dezembro, a concessionária pediu para que eu procurasse a BYD e solicitasse outro guincho, pois se o veículo não chegasse dessa forma, não teria prioridade no atendimento devido ao pátio cheio de carros aguardando conserto”, diz Miranda.

A partir daí muitas informações desencontradas vindas do pós-venda da BYD. No dia 8/12 informaram Leonardo que a Shark precisava de uma atualização de software. “Aguardei mais alguns dias e sem nenhuma resposta revolvi cancelar a compra da Shark e pedi a devolução do dinheiro. No dia 13 de dezembro informaram que a peça defeituosa era na transmissão, que envia a força do motor para as rodas, assim, o conserto seria realizado em sete dias.”
Leonardo aguardou o tempo pedido e não resolveram, argumentaram que o problema agora era no motor a combustão. Não foi dito, porém, qual seria o defeito. Como forma de solucionar a questão a marca ofereceu um modelo elétrico como substituição, o que foi recusado pelo dentista por ter que percorrer longas distâncias de forma corriqueira.
“Nessa confusão toda tive que comprar outro carro mesmo estando desfalcado financeiramente, devido à compra da picape”, reclama. A marca informou ao proprietário que foram realizados os procedimentos padrões em casos semelhantes ao da Shark, como verificação da pressão na bomba de combustível, procura por códigos de falha, testes no módulo de injeção eletrônica, mas nada resolveu.

Uma equipe chinesa teria vindo para o Brasil para resolver o defeito, mas não conseguiram solucionar o problema.
Procurada pela nossa reportagem, a BYD nos informou, na segunda-feira (20), que as partes entraram em acordo e o caso foi resolvido. Procuramos o proprietário que confirmou ter recebido o seu dinheiro de volta. “Eu estava pleiteando o dinheiro de volta havia mais de 30 dias, mas pelo menos recebi o ressarcimento”, comemora Miranda.
O proprietário da Shark fez cumprir o seu direito de consumidor assegurado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). O carro enquadra-se como bem durável, em que defeitos fáceis de constatar têm prazo de 90 dias para serem reclamados e solicitar a devolução integral do valor pago.
De qualquer maneira, a devolução do valor pago por um carro ou mesmo a troca do veículo é algo raro de acontecer no mercado. Os fabricantes não querem abrir precedentes para que todo consumidor que verificar um defeito em seu automóvel simplesmente faça a troca. Quando há a troca, geralmente o consumidor assina um termo de confidencialidade. Daí o procedimento da marca ser sempre procurar consertar o automóvel com defeito.